Uso excessivo de fones de ouvido pode causar perda auditiva irreversível, alerta otorrinolaringologista
Especialista explica riscos da exposição prolongada a sons altos e orienta sobre cuidados para preservar a saúde auditiva.

O uso frequente de fones de ouvido, cada vez mais comum no dia a dia, seja para ouvir música, jogar, trabalhar ou assistir conteúdos no celular, pode trazer sérios riscos à saúde auditiva quando feito de forma inadequada. O alerta é da otorrinolaringologista Dra. Karoline Cedraz, que chama atenção para o perigo da exposição prolongada a volumes elevados.
Segundo a médica, o hábito está cada vez mais disseminado, especialmente entre jovens, que utilizam os dispositivos em diferentes situações, como na academia, em jogos de computador ou durante atividades profissionais.
“É um tema muito comum hoje em dia. O uso do fone de ouvido de forma irregular pode prejudicar a audição. Está cada vez mais disseminado, principalmente entre os jovens, seja na academia, em casa, em jogos de computador ou no uso do smartphone”, explicou.
A especialista ressalta que tanto o uso recreativo quanto profissional pode representar riscos, principalmente quando o volume ultrapassa níveis considerados seguros.
“Se a pessoa estiver exposta a sons altos, isso pode danificar de forma irreversível algumas células sensoriais do ouvido”, afirmou.
De acordo com a médica, a audição pode começar a ser prejudicada quando a exposição sonora ultrapassa 85 decibéis, limite considerado seguro para o ouvido humano. No entanto, muitos usuários não têm noção do que esse número representa na prática.
“A gente sabe que acima de oitenta e cinco decibéis isso já vai prejudicar a audição. As pessoas não têm noção dessa questão de decibéis e acham que é um som muito alto, mas nem sempre é. Um fone de ouvido pode chegar até 105 ou até 115 decibéis dependendo do volume utilizado”, destacou.
Esse nível ultrapassa facilmente o limite considerado seguro e pode acelerar o processo de perda auditiva.
Para reduzir os riscos, a otorrinolaringologista orienta que os usuários sigam a chamada regra 60 por 60, recomendada por especialistas em saúde auditiva.
“Existe uma regra que utilizamos chamada de regra 60 por 60. A orientação é usar o fone de ouvido no máximo a sessenta por cento do volume total e por no máximo sessenta minutos seguidos”, explicou.
Após esse período, é importante fazer pausas para permitir a recuperação das células do ouvido.
“Depois de uma hora de uso, o ideal é fazer uma pausa de cerca de meia hora para que essas células possam se recuperar”, acrescentou.
Outro fator que aumenta o perigo é o uso de fones em ambientes já barulhentos, como academias ou locais com música alta.
“Na academia, por exemplo, já existe música ambiente. Quando a pessoa coloca o fone, geralmente aumenta ainda mais o volume para conseguir ouvir melhor. Isso faz com que o som ultrapasse facilmente os 85 decibéis”, alertou.
O mesmo acontece com jogadores que utilizam fones durante partidas online ou com pessoas que preferem ouvir música em volume elevado.
“Muitas vezes a pessoa aumenta o som porque gosta de ouvir alto ou para se sentir mais animada. Esse hábito pode acelerar a perda auditiva”, disse.
A médica também chama atenção para os sinais iniciais de que a audição pode estar sendo prejudicada.
“O principal sintoma é o zumbido constante, em um ou nos dois ouvidos. Isso já é um sinal de que alguma coisa pode estar errada”, explicou.
Nesses casos, a recomendação é procurar um especialista e realizar exames, como a audiometria, para avaliar a saúde auditiva.
“Quando aparecem esses sintomas, a gente precisa solicitar exames e avaliar melhor”, destacou.
Segundo a especialista, o problema pode ser irreversível, o que torna a prevenção fundamental.
“É um problema irreversível. Por isso, se a gente fizer o cuidado e a prevenção, já conseguimos evitar que isso aconteça”, afirmou.
Entre as orientações, estão reduzir o volume, limitar o tempo de uso e fazer pausas frequentes.
“O ideal é fazer pausas de dez a quinze minutos a cada hora de exposição prolongada ao fone de ouvido”, orientou.
Nos casos em que já existe perda auditiva significativa causada pelo ruído, o tratamento pode incluir o uso de aparelhos auditivos.
“Quando a pessoa já percebe dificuldade para ouvir, pode ser indicado o uso de aparelho auditivo para ajudar na adaptação e na melhora da audição”, explicou.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim






