Saúde

Bares com uso proibido de celular ganham espaço e acendem alerta sobre “fadiga digital”

Tendência internacional busca estimular conexões reais e reduzir impactos do uso excessivo de telas na saúde mental

18/04/2026 16h26
Bares com uso proibido de celular ganham espaço e acendem alerta sobre “fadiga digital”
Foto: Freepik

A crescente adoção de regras que limitam ou até proíbem o uso de celulares em bares e restaurantes tem chamado atenção não apenas pelo apelo comercial, mas também pelos impactos na saúde mental. A chamada “fadiga digital” já é vista como uma realidade por especialistas, que apontam prejuízos nas relações sociais e no bem-estar emocional.

De acordo com o psicólogo Alfredo de Morais Neto, o excesso de estímulos digitais tem afetado diretamente a forma como as pessoas se relacionam.

“Essa hiperatenção ao digital tem prejudicado as relações, não só no conhecimento do outro, mas também nas relações amorosas e nas amizades”, afirma.

Segundo ele, o uso constante de redes sociais e aplicativos, como o TikTok, provoca uma sequência contínua de estímulos no cérebro.

“Você tem esse disparo dopaminérgico o tempo todo por conta das novidades. Isso vai gerando uma fadiga, porque a pessoa acaba viciada nessa atividade”, explica.

O especialista alerta que esse comportamento pode evoluir para quadros mais sérios.

“Isso gera um núcleo de ansiedade generalizada, aumenta o ritmo cardíaco e é prejudicial em todos os níveis”, pontua. Ele acrescenta que a dificuldade de se desconectar pode indicar um vício comportamental. “Se você não consegue passar mais de meia hora longe do celular, isso já precisa de atenção clínica.”

Alfredo também chama atenção para os efeitos nas novas gerações. “Estamos entrando na geração alfa, e há uma dificuldade maior de controle. Essa hipervigilância preocupa autoridades de saúde, porque temos jovens mais agitados e com mais dificuldade de concentração”, destaca.

A restrição ao uso de celulares em ambientes como bares, bibliotecas e festas tem dois objetivos principais: melhorar a interação entre as pessoas e aumentar o engajamento com o ambiente.

“Quando você promove a proibição do celular, a conversa fica mais agradável, há um aprofundamento nas relações, o olho no olho volta a acontecer”, afirma o psicólogo.

Além disso, há uma estratégia comercial por trás da iniciativa. “Quanto mais fuga de atenção, menos a pessoa consome. Então os estabelecimentos também pensam nisso ao incentivar que o cliente esteja presente no ambiente”, explica.

Ele ressalta que muitos locais têm adotado mudanças para reduzir a dependência dos dispositivos.

“Alguns bares estão deixando de usar cardápio digital e voltando ao físico justamente para evitar que o cliente pegue o celular”, exemplifica.

Tendência cresce nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a tendência já ganhou força. Pelo menos 11 estados contam com bares e restaurantes que impõem algum tipo de restrição ao uso de smartphones. Em Washington, D.C., por exemplo, há pelo menos cinco estabelecimentos com esse perfil.

Na cidade de Charlotte, North Carolina, um bar inovou ao trancar os celulares dos clientes por duas horas em um estojo especial.

Para Alfredo, o movimento pode ser positivo se encarado como uma forma de reeducação comportamental.

“Isso desenvolve empatia, responsabilidade com o outro e melhora a qualidade das relações”, afirma.

Ele destaca que o equilíbrio é essencial. “É um movimento positivo para evitar que isso vire um problema clínico, que exija até medicação. O controle desses estímulos é fundamental para que possamos viver melhor e com mais qualidade nas relações.”

*Com informações do repórter JP Miranda

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