Semana Santa: nutricionista orienta como manter tradição com saúde e adaptações alimentares
Saiba como adaptar pratos típicos, substituir ingredientes e economizar sem abrir mão do sabor

A Semana Santa, período marcado por tradição, simbolismo religioso e forte influência cultural na alimentação, especialmente no Nordeste, pode ser vivida de forma equilibrada mesmo diante de restrições alimentares, preferências pessoais e do aumento no preço de alguns produtos. A orientação é da nutricionista Giceli Oliveira, que destaca a importância de adaptar o cardápio sem abrir mão da saúde, do sabor e do orçamento.
Segundo a especialista, nem todos conseguem seguir à risca os costumes alimentares da época, principalmente devido a alergias, intolerâncias ou até mesmo pela falta de afinidade com determinados alimentos, como o peixe.
“Nem todo mundo vive esse momento da mesma forma, já que tem pessoas que têm alergia a frutos do mar, outras ao amendoim, tem também as pessoas que não gostam do sabor do peixe e muitos que se preocupam com o custo mais elevado dos alimentos dessa época”, explicou.
Para quem não aprecia o sabor mais forte de alguns peixes, Giceli orienta a escolha de opções com gosto mais leve.
“Peixes como tilápia, pescada, merluza e linguado têm sabor mais leve, são mais neutros e costumam ser melhor tolerados por quem não tem o hábito de consumir”, destacou.
Ela também ressalta que o modo de preparo influencia diretamente na aceitação do alimento.
“Assados, ensopados ou preparações com temperos mais naturais ajudam a suavizar ainda mais o sabor sem precisar mascarar o alimento.”
Nos casos de alergia, principalmente a frutos do mar, o cuidado deve ser ainda maior, sem possibilidade de adaptação dentro do mesmo grupo alimentar.
“Não existe adaptação segura dentro do mesmo grupo. Nesse caso, a substituição deve ser feita por outras fontes de proteína”, alertou.
Entre as opções indicadas estão as proteínas de origem vegetal.
“Feijão, lentilha e grão-de-bico são excelentes alternativas, principalmente nesse período em que, por questões religiosas, muitas pessoas não consomem carne ou frango.”
Pratos típicos como vatapá e caruru continuam presentes na mesa dos nordestinos, mas podem ganhar versões mais leves e equilibradas.
“Essas preparações são riquíssimas culturalmente, mas podem sim ser adaptadas”, afirmou.
No caso do vatapá, ela sugere ajustes na base e atenção às quantidades.
“A base pode ser ajustada usando castanha de caju e até mesmo amendoim, mas é importante ter atenção às alergias e equilibrar a quantidade de gordura e a densidade calórica.”
Já o caruru pode ganhar uma versão mais leve com substituições inteligentes.
“Ao invés de usar pão ou farinha, você pode utilizar o inhame como base, fazendo um purê bem cremoso. O resultado é um prato mais leve, com melhor digestibilidade e ainda muito sabor.”
O aumento no preço de alguns alimentos típicos da Semana Santa também é uma preocupação comum, mas há alternativas acessíveis.
“Nem todo peixe precisa ser caro. Sardinha, atum e tilápia são opções mais acessíveis e com ótimo valor nutricional”, orientou.
Além disso, a nutricionista sugere estratégias para aumentar o rendimento das refeições.
“Usar o peixe em preparações como tortas, escondidinhos ou ensopados é uma forma eficiente de fazer render mais.”
Outro ponto de alerta é o consumo de alimentos industrializados, comuns pela praticidade.
“Produtos empanados, congelados ou industrializados costumam ter excesso de sódio, gordura e aditivos que não contribuem em nada para a saúde, principalmente para quem já tem algum nível de inflamação ou sensibilidade alimentar.”
Para Giceli, adaptar o cardápio durante a Semana Santa não significa abrir mão da tradição, mas sim respeitar as necessidades individuais.
“A adaptação alimentar não é sobre perder a tradição. É sobre respeitar o seu corpo, sua realidade e fazer escolhas que funcionem para você”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim







