Saúde da mulher após os 40 exige atenção a mudanças hormonais e metabólicas, alerta nutróloga
A especialista explicou que essa fase marca o início de mudanças hormonais importantes que podem impactar diretamente a saúde da mulher

As transformações no organismo feminino a partir dos 40 anos foram tema de entrevista com a médica nutróloga Dra. Aline Jardim no quadro Saúde em Pauta. A especialista explicou que essa fase marca o início de mudanças hormonais importantes que podem impactar diretamente a saúde física, mental e metabólica da mulher.
Segundo a médica, esse período costuma coincidir com o início do climatério, fase de transição que antecede a menopausa.
“É uma idade bem impactante para nós mulheres, porque é quando acontece uma transição hormonal. É mais ou menos quando começamos o período do climatério, que envolve a perimenopausa e depois a menopausa”, explicou.
De acordo com a especialista, muitas mulheres não percebem de imediato as alterações que começam a ocorrer no organismo. Entre os primeiros sinais, podem aparecer mudanças neurológicas.
“Muita gente pensa que o primeiro sintoma são os calorões, mas um dos primeiros sinais pode ser a parte neural, como a falta de memória, aquela dificuldade de lembrar nomes ou coisas simples do dia a dia”, destacou.
A nutróloga também explicou que a queda de hormônios como progesterona e estradiol provoca mudanças metabólicas importantes.
“Quando essas alterações hormonais começam, nós passamos a ter alterações na memória e também metabólicas. É comum a mulher começar a ganhar meio quilo ou um quilo por ano”, afirmou.
Segundo ela, a fase da perimenopausa pode durar de oito a dez anos até a chegada da menopausa, que é caracterizada quando a mulher passa um ano sem menstruar.
Outro impacto está na forma como o corpo passa a armazenar gordura.
“Quando somos jovens, o estradiol direciona a gordura mais para o bumbum e as pernas. Com a queda desse hormônio, a gordura começa a se acumular no abdômen, formando a chamada gordura visceral”, explicou.
Esse acúmulo pode desencadear problemas como resistência à insulina, considerada um fator importante para o desenvolvimento da síndrome metabólica.
A alimentação também ganha papel fundamental nessa fase da vida. A médica explica que muitas mulheres percebem que o metabolismo passa a funcionar de forma diferente.
“Quando somos jovens, engordamos um quilinho e conseguimos perder facilmente. Depois dos 40 isso muda, porque o metabolismo também muda. Mesmo fechando a boca ou intensificando exercícios, muitas vezes a perda de peso não acontece da mesma forma”, disse.
Entre as recomendações nutricionais, ela alerta para o consumo excessivo de carboidratos à noite.
“Não é que não possa comer, mas precisamos tomar cuidado com a quantidade de carboidratos à noite. Esse hábito pode piorar o acúmulo de gordura visceral e a resistência à insulina”, orientou.
Segundo a nutróloga, estudos indicam que durante a perimenopausa a mulher pode ganhar cerca de um quilo por ano, e na menopausa esse ganho pode chegar a 2,5 quilos por ano, caso não haja acompanhamento adequado.
Além das mudanças físicas, a especialista destaca que a transição hormonal pode afetar também o bem-estar emocional.
“A mulher pode apresentar irritabilidade, dificuldade de concentração e uma espécie de névoa mental. Muitas vezes ela não se reconhece mais, perde produtividade no trabalho e isso pode afetar até relacionamentos familiares”, afirmou.
Segundo ela, muitos quadros são confundidos com estresse ou burnout, quando na verdade podem estar relacionados à menopausa.
“Existem casos que parecem burnout, mas na verdade são sintomas de uma depressão associada à menopausa não tratada”, explicou.
A médica reforça que o acompanhamento profissional é fundamental para avaliar cada caso e indicar o tratamento mais adequado, que pode incluir reposição hormonal quando indicada.
“A partir dos 40 anos é importante buscar orientação médica e perder o medo de falar sobre reposição hormonal. Quando bem indicada, ela pode ajudar muito na qualidade de vida da mulher”, disse.
Sobre exames, ela explica que o diagnóstico não deve se basear apenas em resultados laboratoriais.
“Nós solicitamos exames hormonais e de imagem, mas não podemos nos basear apenas neles. Muitas mulheres têm sintomas mesmo com exames ainda dentro da normalidade”, pontuou.
A especialista reforçou a importância de ampliar o debate sobre o tema.
“As mulheres precisam entender que essa fase pode ser tratada e acompanhada. O objetivo é cuidar da saúde mental, metabólica e também da saúde sexual para garantir qualidade de vida”, concluiu.






