Doenças cardiovasculares avançam entre jovens e acendem alerta sobre estilo de vida, diz cardiologista
Especialista aponta sedentarismo, má alimentação, estresse e falta de exames como principais fatores por trás do aumento de infartos e AVCs em pessoas com menos de 40 anos

As doenças cardiovasculares, historicamente associadas ao envelhecimento, têm atingido cada vez mais pessoas jovens, muitas delas em plena fase produtiva. O alerta foi feito pelo cardiologista André Chateaubriand, durante entrevista ao Jornal do Meio Dia, da Princesa FM.
Segundo o especialista, o principal motivo para essa mudança está diretamente ligado ao estilo de vida atual.
“Quando a gente fala em doença cardiovascular, estamos falando principalmente de infarto e AVC. O principal motivo pra isso é o estilo de vida e também o fato de as pessoas ignorarem condições que não causam sintomas”, explicou.
Ele destaca fatores como sedentarismo, excesso de tempo em telas, alimentação baseada em ultraprocessados, estresse e sono inadequado.
“Tudo isso contribui para uma epidemia de obesidade. Hoje, 55% dos adultos estão acima do peso e cerca de 20% têm obesidade, o que acelera o surgimento dessas doenças”, afirmou.
Um dado chama a atenção: os casos têm ocorrido em idades cada vez menores. “Um a cada cinco pacientes que têm infarto possui menos de 40 anos. Isso é alarmante”, ressaltou o cardiologista.
Apesar de a idade ainda ser um fator de risco importante, ele explica que os hábitos modernos antecipam o desenvolvimento de problemas cardíacos.
“Antes as pessoas se movimentavam mais e se alimentavam melhor. Hoje, mesmo com mais informação, a gente vê a doença aparecendo mais cedo”, disse.
Outro ponto destacado pelo médico foi a influência do sono na saúde cardiovascular.
“A privação de sono gera um estado de estresse crônico no corpo, aumentando inflamações e o risco de doenças como diabetes e problemas cardíacos”, explicou.
Ele recomenda entre seis e sete horas de sono por noite. “Dormir menos que isso já é prejudicial. O corpo fica desregulado e isso impacta diretamente na saúde”, alertou.
O estresse e a ansiedade também entram na lista de riscos. “O estresse crônico provoca uma inflamação contínua no organismo, favorecendo o surgimento de hipertensão e placas de gordura nas artérias. Existe, inclusive, relação entre grandes choques emocionais e infarto”, destacou.
Entre os fatores mais comuns, o cardiologista listou:
- Obesidade
- Tabagismo
- Colesterol alto
- Histórico familiar
Sobre o colesterol, ele fez um alerta importante: “É o fator mais negligenciado porque não causa sintomas. A pessoa só descobre fazendo exame e quando descobre tarde, pode já ter desenvolvido placas nas artérias”.
Embora muitas condições sejam silenciosas, alguns sinais podem indicar problemas cardíacos:
- Falta de ar ao esforço
- Desconforto no peito
- Inchaço nas pernas
- Dificuldade para respirar ao deitar
“Esses sintomas devem ser investigados o quanto antes. Muitas vezes, os avisos foram ignorados”, disse.
O especialista reforçou a importância de exames de rotina. “Com exames simples, como hemograma, glicemia e colesterol, feitos ao menos uma vez por ano, é possível identificar problemas precocemente”, orientou.
Ele recomenda acompanhamento médico regular a partir dos 25 anos, com maior atenção após os 30 ou 35 anos.
“Se houver histórico familiar ou fatores de risco, o ideal é procurar um cardiologista mais cedo”, completou.
Simpósio em Feira de Santana
Durante a entrevista, o médico também destacou a realização do 5º Simpósio de Emergências Cardiovasculares, que acontecerá no dia 25 de abril, em Feira de Santana.
“O evento vai abordar temas como infarto, arritmias, AVC e emergências hipertensivas, voltado para profissionais e estudantes da área de saúde”, explicou.
As inscrições podem ser feitas pela plataforma Sympla ou pelo perfil da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) de Feira nas redes sociais.







