Saúde bucal da mulher 40+: especialistas alertam para impactos hormonais e reforçam importância da prevenção
Especialistas explicam como alterações hormonais afetam a saliva, aumentam riscos de doenças bucais e impactam a qualidade de vida feminina

A saúde da mulher passa por transformações importantes a partir dos 40 anos e a boca também sente esses efeitos. Durante o quadro De Mulher pra Mulher no programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, a ginecologista Dra. Cláudia Souza e a periodontista Dra. Lavínia Servo chamaram a atenção para as mudanças hormonais do climatério e da menopausa que impactam diretamente a saúde bucal, muitas vezes de forma silenciosa.
Segundo as especialistas, o Brasil tem cerca de 30 milhões de mulheres nessa fase, o que torna o tema ainda mais relevante.
“Essa mulher está mais vulnerável por conta da queda da produção hormonal e é claro que a nossa boca também sofre e passa por essas mudanças”, destacou a Dra. Cláudia.
A periodontista Dra. Lavínia explicou que uma das principais alterações é a redução da produção de saliva, especialmente no período que antecede a menopausa.
“A saliva diminui por conta das alterações hormonais, principalmente na pré-menopausa. E isso já pode ser um sinal para a paciente procurar acompanhamento”, afirmou.
A especialista ressalta que a chamada hipossalivação pode trazer diversos sintomas:
- Sensação de boca seca (xerostomia)
- Alteração do paladar
- Ardência bucal
- Dificuldade para mastigar e engolir alimentos secos
Além disso, a saliva tem papel essencial na proteção da cavidade oral.
“A saliva é importantíssima para manter o equilíbrio do pH da boca. Quando ela diminui, aumenta o risco de cáries, inflamações e até mau hálito”, explicou.
Outro ponto destacado foi a redução do colágeno, que não afeta apenas a pele, mas também a estrutura da boca.
“A queda hormonal leva à perda de colágeno na mucosa bucal e na gengiva. Isso deixa a região mais sensível e com maior predisposição a sangramentos e inflamações”, pontuou a Dra. Cláudia.
A Dra. Lavínia complementa: “Mulheres acima dos 40 têm maior risco de perda óssea e doença periodontal, principalmente se houver fatores associados como tabagismo ou falta de acompanhamento.”
As especialistas alertam que problemas bucais não tratados podem ter reflexos sistêmicos.
“Uma infecção na boca pode alcançar a corrente sanguínea e causar problemas mais graves, como endocardite bacteriana”, destacou a periodontista.
Há ainda estudos que associam doenças periodontais a complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Hábitos do dia a dia podem agravar o quadro, como o consumo excessivo de café e o uso de medicamentos.
“Café e álcool ressecam a mucosa e reduzem a saliva. Isso contribui para mau hálito e sensibilidade dentária”, explicou Lavínia.
Ela também comentou sobre o uso de medicamentos para emagrecimento:
“Essas substâncias podem reduzir a ingestão de alimentos e água. Como a água é responsável por cerca de 80% da produção salivar, isso impacta diretamente a saúde bucal.”
As especialistas reforçam que o cuidado deve ser multidisciplinar, envolvendo dentistas e ginecologistas.
“A prevenção é fundamental. A gente precisa olhar o paciente como um todo”, afirmou a Dra. Cláudia.
“Muitas mulheres acham que é normal ter boca seca ou sangramento gengival, mas não é. Com orientação adequada, é possível melhorar muito a qualidade de vida”, completou a Dra. Lavínia.
Entre as medidas recomendadas estão:
- Acompanhamento hormonal
- Avaliação odontológica регуляр
- Hidratação adequada
- Ajuste na dieta
- Uso de produtos específicos para cada caso
“Para tudo isso, o principal é informação de qualidade”, concluiu a ginecologista.






