Saúde

Novas abordagens no tratamento da SOP ampliam qualidade de vida de mulheres, destaca ginecologista

Os avanços científicos vêm transformando a abordagem da doença, trazendo novas perspectivas principalmente no controle dos sintomas e na qualidade de vida das pacientes.

26/04/2026 12h22
Novas abordagens no tratamento da SOP ampliam qualidade de vida de mulheres, destaca ginecologista

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), condição que atinge um número significativo de mulheres, tem passado por uma mudança importante na forma de diagnóstico e tratamento. Em entrevista ao quadro Mulheres em Pauta, a ginecologista Dra. Márcia Suely explicou que os avanços científicos vêm transformando a abordagem da doença, trazendo novas perspectivas principalmente no controle dos sintomas e na qualidade de vida das pacientes.

A médica destacou a relevância do tema em sua rotina clínica.

“É um assunto muito prevalente no meu consultório. Cerca de 10% das minhas pacientes têm síndrome dos ovários policísticos”, afirmou.

Segundo a especialista, apesar do nome, a SOP não deve ser entendida apenas como um problema ginecológico.

“Ela não é uma doença ovariana. É uma doença metabólica, cuja principal característica é a resistência à insulina”, explicou.

A médica detalhou que esse desequilíbrio hormonal interfere diretamente no funcionamento do organismo.

“A insulina alta aumenta os hormônios masculinos, bloqueia a ovulação e faz com que a mulher não menstrue regularmente”, disse.

Além disso, a dificuldade do corpo em utilizar a glicose contribui para sintomas como fadiga e ganho de peso.

“Não é falta de vontade ou preguiça. Muitas vezes é a própria síndrome que dificulta o emagrecimento”, ressaltou.

A SOP pode se manifestar de diferentes formas. Entre os principais sinais de alerta estão irregularidade menstrual, acne, excesso de pelos, queda de cabelo e dificuldade para perder peso.

“Se você tem esses sintomas e acha que é normal, pode estar com síndrome dos ovários policísticos”, alertou a ginecologista.

Um dos principais avanços, segundo Dra. Márcia, está na mudança de foco do tratamento.

“Antes, o objetivo era apenas regular a menstruação com anticoncepcional. Hoje sabemos que isso não trata a causa, apenas mascara o problema. Se você usa pílula anticoncepcional para tratar SOP, isso está errado. O foco hoje é o metabolismo”.

De acordo com a especialista, o tratamento atual busca reduzir a resistência à insulina para restabelecer o equilíbrio hormonal.

“Quando a gente trata a causa, tudo volta a funcionar: a paciente emagrece, melhora a acne, volta a menstruar e pode até engravidar”, explicou.

A abordagem moderna envolve uma combinação de fatores, incluindo acompanhamento multidisciplinar.

“Não é uma pílula milagrosa. O tratamento exige estratégia: alimentação, atividade física, medicamentos e suplementos”, destacou.

Entre os medicamentos, a metformina ainda é utilizada, mas novas opções têm ganhado espaço.

“Hoje temos medicamentos mais eficazes para resistência à insulina, como os análogos de GLP-1, que ajudam também na perda de peso e no controle metabólico”, explicou.

A médica também ressaltou a importância de hábitos saudáveis.

“A atividade física e a alimentação balanceada reduzem a inflamação e melhoram muito o quadro”, disse.

Além dos benefícios clínicos, o tratamento da SOP tem reflexos importantes na saúde emocional das pacientes.

“Um dos maiores impactos é na autoestima. Essas mulheres voltam a se sentir bem, recuperam a disposição e até a libido”, afirmou.

A fertilidade também pode ser diretamente afetada pela síndrome, mas há boas perspectivas.

“Quando tratamos a resistência à insulina, o ovário volta a funcionar e muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente”, destacou.

Apesar dos avanços, a ginecologista reforça que a SOP não tem cura, mas pode ser controlada.

“É uma doença genética. Não tem cura, mas tem tratamento e acompanhamento”, explicou.

Ela também alertou que cada caso exige uma abordagem específica.

“Não existe um tratamento único. Cada paciente precisa de um plano individualizado, de acordo com suas características”, disse.

A médica reforçou a importância do acompanhamento contínuo.

“O médico não pode deixar essa paciente solta. É preciso estar perto, acompanhando e ajustando o tratamento”, concluiu.

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