Feira de Santana

Casos de AVC entre jovens acendem alerta e reforçam importância da prevenção

Especialista alerta para aumento de casos na faixa dos 20 aos 49 anos

26/04/2026 07h11
Casos de AVC entre jovens acendem alerta e reforçam importância da prevenção

O crescimento no número de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre jovens tem preocupado especialistas e acendido um alerta para a população. Em entrevista concedida ao programa Jornal do Meio Dia, a neurologista Dra. Patrícia Schettini destacou que o problema, antes mais associado a idosos, tem atingido cada vez mais pessoas entre 20 e 49 anos.

Segundo a médica, dados recentes mostram um cenário preocupante. “Nos últimos anos, a gente tem notado um aumento desse percentual de pacientes jovens acometidos pelo AVC. Dados de 2024 apontam cerca de 7.200 mortes de pacientes jovens, o que é bastante alarmante”, afirmou.

A especialista explicou que, embora o AVC em jovens e idosos tenha a mesma fisiopatologia e sintomas, o impacto tende a ser mais significativo nos mais novos.

“O AVC é um déficit neurológico súbito, pode ser isquêmico, quando há obstrução de um vaso, ou hemorrágico, quando ocorre o rompimento. A apresentação clínica é a mesma em qualquer idade”, explicou.

Apesar disso, ela ressalta que as consequências sociais e econômicas são mais severas em pacientes jovens.

“O impacto é maior porque atinge justamente a fase mais produtiva da vida, gerando incapacidade funcional e comprometendo o trabalho e a rotina do paciente”, pontuou.

Entre os principais fatores de risco, a neurologista citou hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol elevado. No entanto, chamou atenção para hábitos cada vez mais comuns entre jovens.

“No paciente jovem, a gente não pode deixar de incluir o uso de drogas, bebidas energéticas e o cigarro eletrônico. Esses fatores interferem na viscosidade do sangue, aumentam a frequência cardíaca e elevam o risco de doenças vasculares”, alertou.

Ela também destacou que o uso de anticoncepcionais pode aumentar o risco em mulheres com fatores associados.

“Mulheres obesas, tabagistas, sedentárias ou que têm enxaqueca com aura precisam ter atenção redobrada ao uso de anticoncepcional”, disse.

Outro ponto levantado foi o impacto do estresse, ansiedade e síndrome de burnout no desenvolvimento do AVC.

“Essas condições afetam o funcionamento bioquímico do cérebro, alteram o sono e geram uma cascata inflamatória que aumenta o risco de doenças crônicas”, explicou.

As sequelas variam de acordo com a área do cérebro atingida, mas podem comprometer significativamente a qualidade de vida.

“O paciente pode apresentar paralisia parcial ou total de um lado do corpo, o que muitas vezes o impede de trabalhar e muda completamente a estrutura familiar”, destacou.

A médica também explicou como funciona o acompanhamento após o AVC, destacando o papel do Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, como referência no atendimento.

“O paciente recebe atendimento emergencial, passa por investigação e já sai com acompanhamento ambulatorial. Além disso, é encaminhado para fisioterapia e, em alguns casos, fonoaudiologia para reabilitação”, explicou.

A neurologista reforçou que pacientes que já tiveram AVC têm, sim, risco de novos episódios.

“Existe uma taxa de recorrência e, por isso, fazemos um trabalho rigoroso de prevenção secundária, controlando pressão arterial, diabetes, colesterol e incentivando a prática de atividade física”, afirmou.

Dra. Patrícia Schettini enfatizou a necessidade de mudança imediata no estilo de vida. “Essa mudança precisa ser para ontem. A gente vive cercado de ultraprocessados e sedentarismo. É preciso cuidar do hoje para garantir qualidade de vida no futuro”, alertou.

A médica também destacou a importância de conscientizar os mais jovens. “Incentivar uma alimentação saudável e a prática de exercícios desde cedo é fundamental. A meta é longevidade, mas com saúde”, concluiu.

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