Nove em cada 10 jovens não poupam para aposentadoria e priorizam consumo imediato, aponta estudo
Especialista alerta para falta de planejamento e destaca importância de começar cedo, mesmo com pouco dinheiro

A maior parte dos jovens brasileiros ainda não se prepara financeiramente para a aposentadoria. É o que revela a 9ª edição do estudo “Raio X do Investidor Brasileiro 2026”, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha. Segundo o levantamento, nove em cada dez jovens não possuem qualquer tipo de poupança ou investimento voltado para o futuro.
Apesar do cenário preocupante, o estudo indica que há uma mudança gradual de comportamento: cresce entre os jovens o interesse em começar a guardar dinheiro, impulsionado principalmente pelo acesso à educação financeira nas redes sociais e plataformas digitais.
De acordo com a pesquisa, o principal obstáculo para investir ainda é a renda. Muitos jovens afirmam que o orçamento é consumido por despesas imediatas, o que dificulta a criação de uma reserva financeira.
Além disso, fatores como falta de conhecimento sobre produtos de investimento e insegurança na tomada de decisão também pesam. Outro ponto relevante é a priorização do curto prazo, com gastos voltados ao consumo e lazer, enquanto o planejamento para a aposentadoria acaba sendo deixado de lado por ser visto como algo distante.
O educador financeiro Bruno Dias reforça que a dificuldade dos jovens está diretamente ligada à falta de visão de longo prazo.

“Hoje, um dos maiores desafios dos jovens quando falamos de aposentadoria é justamente a falta de visão de longo prazo. A aposentadoria acaba aparecendo como algo muito distante, muito longe, e por isso muitos acabam vivendo apenas o agora”, explicou.
Segundo ele, o comportamento imediatista da atual geração é agravado pela facilidade de acesso ao dinheiro digital.
“Depois da digitalização do dinheiro ficou muito mais simples gastar. Em poucos cliques a pessoa compra no cartão de crédito, faz Pix e às vezes nem percebe que o dinheiro está indo embora”, afirmou.
Outro fator que dificulta o hábito de poupar é a busca por status, especialmente nas redes sociais.
“Muitas pessoas acabam gastando para mostrar uma realidade que ainda não vivem. Querem manter uma aparência, acompanhar um padrão de vida que muitas vezes não cabe no orçamento. Isso afasta completamente qualquer planejamento financeiro”, destacou Bruno.
Ele alerta que, nesse cenário, o dinheiro que poderia ser investido acaba sendo usado para sustentar uma imagem momentânea.
Apesar das dificuldades, o especialista defende que é possível começar a investir mesmo com renda baixa, desde que haja organização e disciplina.
“O maior erro é pensar que investir é só para quem ganha muito. O segredo não está em começar com muito, mas em começar cedo e manter a disciplina”, disse.
Bruno exemplifica que guardar pequenas quantias mensalmente pode gerar resultados significativos no longo prazo, principalmente com o efeito dos juros compostos.
“Imagine uma pessoa de 20 anos que começa guardando R$ 100 por mês e mantém isso ao longo dos anos. Pequenos valores, quando somados ao longo do tempo, se transformam em grandes resultados”, explicou.
O educador financeiro ressalta ainda que pensar na aposentadoria vai além de parar de trabalhar: trata-se de garantir qualidade de vida.
“Planejar a aposentadoria significa garantir tranquilidade, independência e segurança. Não é só parar de trabalhar, é ter o direito de escolher como viver, sem depender de terceiros”, concluiu.
*Com informações do repórter Robson Nascimento






