Economia

Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar bares e restaurantes, alerta empresário

Carlos Medeiros defende debate mais amplo sobre jornada de trabalho e aponta risco de aumento de custos e informalidade

27/04/2026 18h45
Fim da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar bares e restaurantes, alerta empresário

O empresário Carlos Medeiros, do setor de bares e restaurantes em Feira de Santana e pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo, afirmou que o possível fim da escala de trabalho 6×1 pode trazer impactos significativos para o segmento, especialmente em um momento em que muitas empresas ainda se recuperam dos efeitos da pandemia.

Durante participação no quadro Conversa Franca, do Jornal do Meio Dia, na Rádio Princesa FM, ele destacou que, embora a discussão sobre qualidade de vida dos trabalhadores seja legítima, é preciso cautela e aprofundamento no debate.

“Esse tema é importantíssimo e precisa entrar na pauta. Mas é uma preocupação para todos os segmentos, principalmente para bares e restaurantes, que ainda estão se recuperando da pandemia”, afirmou.

Segundo ele, dados do setor indicam que a recuperação ainda é desigual.

“Cerca de 40% dos restaurantes estão dando lucro, enquanto 60% ainda operam no prejuízo. Ou seja, é um segmento que não se recuperou totalmente e pode sofrer mais um impacto”, pontuou.

Carlos Medeiros alertou que mudanças na jornada de trabalho podem elevar significativamente os custos operacionais.

“Existe uma estimativa de aumento de cerca de 20% no custo de mão de obra, com um repasse de aproximadamente 8% para o consumidor. Essa conta não tem como não chegar à população”, disse.

Ele ressaltou que a estrutura do setor é formada majoritariamente por pequenos negócios.

“No segmento de bares e restaurantes, cerca de 95% são pequenas empresas e 70% são unidades únicas, de um único dono. O impacto é completamente diferente de grandes redes”, explicou.

Apesar das críticas à proposta, o empresário afirmou que não é contra a melhoria das condições de trabalho, mas defende uma discussão mais ampla.

“Quem não quer trabalhar menos e ganhar mais? Todo mundo quer. Mas a gente precisa separar o discurso político de uma discussão séria”, declarou.

Para Carlos, o debate deve incluir temas como produtividade, flexibilização da jornada e modernização das leis trabalhistas.

“Não dá para discutir só o fim da escala 6×1. Tem que discutir produtividade, informalidade, trabalho por aplicativo e o papel da CLT hoje”, destacou.

Ele também criticou a rigidez da legislação atual.

“A CLT é muito travada. Muitas vezes o funcionário quer flexibilizar férias ou jornada, mas a lei não permite. Isso precisa ser revisto para atender tanto empresas quanto trabalhadores”, afirmou.

Outro ponto levantado foi o possível aumento da informalidade caso mudanças sejam feitas sem planejamento.

“Se você aperta demais, gera informalidade. A gente já viu isso acontecer em outros setores. Por isso, a decisão precisa ser técnica, não populista”, alertou.

Carlos também demonstrou preocupação com o fato de o tema estar sendo discutido em um contexto eleitoral.

“As pessoas têm medo de falar. Quem vai ser contra trabalhar menos sem reduzir salário? Mas, se a discussão for só essa, eu sou contra, porque não é bom para ninguém”, disse.

Ele defendeu que o tema seja debatido com a participação de todos os setores.

“É preciso ouvir empresários, trabalhadores, indústria, comércio. Hoje a discussão está muito restrita ao campo político”, avaliou.

O empresário reforçou a necessidade de equilíbrio nas decisões sobre o mercado de trabalho.

“É possível melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas isso precisa vir junto com aumento de produtividade e responsabilidade nas decisões”, finalizou.

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