Economia

Inadimplência do aluguel volta a subir no Brasil e especialista aponta impacto da inflação e juros elevados

Alta expõe impacto da inflação e dos juros no bolso dos brasileiros

25/04/2026 18h11
Inadimplência do aluguel volta a subir no Brasil e especialista aponta impacto da inflação e juros elevados

A inadimplência no pagamento do aluguel voltou a crescer no Brasil em fevereiro de 2026, interrompendo uma sequência de quatro meses de queda registrada no fim de 2025. De acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica, a taxa chegou a 3,35%, acima dos 3,29% registrados em janeiro.

Apesar da alta de apenas 0,06 ponto percentual, o movimento acende um sinal de alerta. Na comparação com fevereiro do ano passado, quando o índice era de 3,17%, o avanço é mais significativo e reflete a pressão de fatores econômicos sobre o orçamento das famílias.

Segundo o especialista imobiliário Humberto Mascarenhas, o cenário é diretamente influenciado por variáveis macroeconômicas.

“Os fatores econômicos que têm contribuído para o crescimento na inadimplência dos aluguéis são a inflação persistente que nosso país enfrenta e os juros elevados. A Selic alta tem impactado muito na nossa economia”, afirmou.

Ele destaca que o aumento ocorre após um período de estabilidade.

“A gente vinha de quatro meses com queda na inadimplência e, a partir do mês de fevereiro, esse sinal voltou a crescer, chegando aí a 3,35%”, pontuou.

Na avaliação de Humberto, o crescimento da inadimplência não é isolado do setor imobiliário, mas sim um reflexo do momento econômico do país.

“Esse é um efeito momentâneo causado pela economia. Não só o mercado de aluguéis, mas vários outros setores também estão sofrendo com os juros elevados e com a inflação”, explicou.

Apesar disso, ele reforça que o mercado imobiliário segue aquecido.

“O mercado imobiliário em si continua saudável. Estamos vivendo a maior demanda imobiliária da história, e as famílias estão esperando justamente a queda da Selic para voltar a comprar seus imóveis. Enquanto isso, o aluguel continua em alta”, disse.

O aumento na procura por locação também contribui para o avanço da inadimplência.

“Esse crescimento na procura por aluguéis também acaba impactando em um índice maior de inadimplência”, completou.

Os dados mostram que a inadimplência atinge diferentes perfis de imóveis. Os contratos com valores acima de R$ 13 mil lideram, com taxa de 8,58%. Já os imóveis mais baratos, de até R$ 1 mil, também registraram índice elevado, de 7,08%, evidenciando maior dificuldade entre famílias de menor renda.

Por outro lado, as menores taxas estão nas faixas intermediárias. Imóveis com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 3 mil registraram inadimplência de 2,78%, enquanto os de R$ 3 mil a R$ 5 mil ficaram em 2,89%.

No segmento comercial, o cenário também é de alta: a taxa passou de 4,46% em janeiro para 4,75% em fevereiro.

Regionalmente, o Nordeste lidera o índice de inadimplência, com 4,67%, seguido pelo Norte (4,61%). O Centro-Oeste aparece com 3,71%, enquanto o Sudeste registra 3,28%. O Sul mantém a menor taxa do país, com 2,87%.

Humberto chama atenção para o impacto social desse cenário, especialmente nas regiões com menor renda.

“Quem era para ser beneficiado, que é a população mais carente, é quem mais é impactada. O Nordeste e o Norte, que têm renda mais baixa, acabam sentindo mais”, destacou.

Diante do aumento nos índices, imobiliárias e proprietários têm adotado estratégias mais rígidas na hora de fechar contratos.

“A solução tem sido fazer uma análise mais criteriosa, ter mais cuidado na hora da locação, para evitar clientes que já tenham histórico de inadimplência”, explicou.

Para o especialista, o momento exige cautela, mas não indica crise estrutural no setor.

“É um cenário que exige atenção, mas está muito ligado ao momento econômico. Com a melhora das condições, a tendência é de estabilização”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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