Saúde

Neuroreabilitação intensiva após alta hospitalar pode evitar reinternações e acelerar recuperação de pacientes

Fisioterapeuta destaca que os primeiros meses são decisivos para recuperar movimentos, autonomia e evitar novas complicações de saúde.

16/03/2026 21h41
Neuroreabilitação intensiva após alta hospitalar pode evitar reinternações e acelerar recuperação de pacientes

No quadro Neuroreabilitação em Pauta, exibido no programa Cidade em Pauta, da rádio Nordeste FM, o fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da clínica Reabserv, destacou a importância da reabilitação neurointensiva para pacientes que recebem alta hospitalar após doenças ou traumas neurológicos.

Vinícius explicou que muitos pacientes deixam o hospital ainda com limitações físicas e neurológicas e precisam intensificar o processo de recuperação para evitar novas complicações.

Segundo ele, a reabilitação após a alta hospitalar é fundamental porque, durante a internação, o paciente nem sempre consegue realizar atividades físicas suficientes.

“Na fase hospitalar, muitas vezes o fisioterapeuta precisa atender vários pacientes ao mesmo tempo. Não existe um tratamento totalmente individualizado, então muitos pacientes acabam ficando restritos ao leito por vários dias e isso gera perda de força muscular e de capacidade funcional”, explicou.

Vinícius citou o exemplo de idosos que permanecem internados por períodos prolongados e acabam sofrendo declínio físico significativo.

“Imagine um idoso que fica quinze dias internado. Ele declina muito fisicamente. Às vezes o paciente entra andando no hospital e sai com muita dificuldade de mobilidade”, afirmou.

De acordo com o fisioterapeuta, essa situação pode ocorrer em diferentes contextos, como acidente vascular encefálico (AVC), traumatismo cranioencefálico, lesões medulares ou até internações motivadas por outras doenças que acabam limitando a movimentação do paciente.

Vinícius destacou que existe um período considerado decisivo para a recuperação neurológica, principalmente em casos de AVC.

“Nos primeiros três a seis meses após uma lesão neurológica acontece a maior recuperação do sistema nervoso. É o que chamamos de fase de ouro. Nesse período, a reabilitação precisa ser intensificada”, explicou.

Segundo ele, nesse momento é comum que o paciente necessite de fisioterapia diária e, em alguns casos, até mais de uma sessão por dia, além do acompanhamento de outros profissionais da saúde.

“A reabilitação envolve uma equipe multidisciplinar. Pode ter fisioterapia, nutrição, enfermagem, fonoaudiologia e acompanhamento médico, dependendo da complexidade do paciente”, acrescentou.

Entre os principais objetivos da reabilitação neurointensiva está evitar a reinternação do paciente.

“A primeira meta é evitar que esse paciente volte ao hospital. Muitas vezes a reinternação acontece por fraqueza muscular, dificuldade para se alimentar ou até problemas respiratórios”, destacou.

Além disso, o processo de reabilitação também busca devolver autonomia ao paciente nas atividades do dia a dia.

“Cada paciente tem um objetivo. Alguns querem voltar a dirigir ou trabalhar. Outros precisam primeiro recuperar coisas básicas, como segurar um copo, caminhar, tomar banho sozinho ou sair de casa para comprar um pão”, explicou.

Para definir o nível de reabilitação necessário, os profissionais utilizam ferramentas de avaliação que medem o grau de dependência do paciente.

Uma delas é a Medida de Independência Funcional, que classifica o nível de autonomia do paciente.

“Essa escala vai de 11 a 126 pontos. Quanto menor a pontuação, maior é a dependência do paciente. A partir dessa avaliação, a gente define a intensidade do tratamento”, explicou Vinícius.

Pacientes com maior comprometimento podem precisar de sessões diárias e acompanhamento intensivo, enquanto aqueles com maior autonomia podem ter sessões intercaladas ao longo da semana.

Para o fisioterapeuta, um dos maiores desafios enfrentados pelas famílias é a falta de informação sobre como lidar com o paciente após a alta hospitalar.

“Muitas vezes a família recebe a notícia de que um parente sofreu um acidente ou teve um AVC e, de repente, precisa cuidar de um paciente com várias necessidades em casa sem nenhum treinamento”, disse.

Ele reforçou que orientar os familiares faz parte do processo de reabilitação.

“Lá na clínica a gente ensina a família como colocar o paciente sentado, como ajudar a caminhar, como dar banho e como lidar com a rotina. O conhecimento ajuda muito no processo de recuperação”, afirmou.

Vinícius também ressaltou que uma doença neurológica não afeta apenas o paciente, mas toda a estrutura familiar.

“O AVC, por exemplo, não é só um derrame no cérebro. É um derrame na família. Toda a dinâmica da casa muda, as pessoas precisam se adaptar a uma nova realidade”, pontuou.

Como orientação para quem tem um parente com sequelas neurológicas, o fisioterapeuta recomenda buscar avaliação profissional e iniciar a reabilitação o mais cedo possível.

“Converse com o médico ou com profissionais da saúde e veja se o paciente já está clinicamente estável para iniciar exercícios. Não deixe de procurar profissionais especializados. Movimento é vida”, concluiu.

Vinícius também colocou a clínica à disposição para orientar pacientes e familiares que tenham dúvidas sobre o processo de reabilitação.

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