Saúde

Maternidade atípica e saúde mental: quem cuida de quem cuida?

Especialistas alertam para o esgotamento físico e mental de mulheres que cuidam de filhos com desenvolvimento atípico e defendem mais acolhimento e suporte social.

13/04/2026 12h03
Maternidade atípica e saúde mental: quem cuida de quem cuida?

O quadro Saúde Mental em Pauta, apresentado pela psicóloga Olívia Magalhães no Programa Cidade em Pauta, abordou nesta semana um tema sensível e necessário: a saúde mental de mães atípicas. A edição contou com a participação da psicóloga obstétrica e perinatal Ravena Leite, que trouxe reflexões sobre os desafios enfrentados por famílias que convivem com crianças com desenvolvimento atípico.

Durante o programa, Ravena Leite explicou o conceito de maternidade atípica, ainda pouco compreendido por grande parte da população.

“A maternidade atípica é aquela vivenciada fora do esperado. São mães que cuidam de crianças com desenvolvimento diferente, como autismo, TDAH ou outras questões neurológicas, o que exige mais terapias e mais cuidados”, explicou.

Segundo a especialista, essa realidade impõe uma rotina mais intensa e desafiadora em comparação à maternidade considerada típica.

Sobrecarga emocional e rotina intensa

Ravena detalhou os impactos emocionais enfrentados por essas mães, destacando o esgotamento físico e mental.

“É uma luta diária. Existe um esgotamento muito grande, porque a mãe precisa dar conta de escola, terapias e cuidados constantes”, pontuou.

Ela também chamou atenção para quadros de ansiedade e depressão, comuns nesse contexto.

“Essa mãe vive em hipervigilância, sempre atenta ao comportamento da criança. Isso gera ansiedade, dificuldade para dormir e até sintomas depressivos, porque muitas vezes ela abre mão da própria vida”, disse.

Rede de apoio é fundamental

Outro ponto central da discussão foi a importância da rede de apoio. De acordo com Ravena, o suporte, seja da família, amigos ou até vizinhos, faz diferença significativa na qualidade de vida dessas mulheres.
“A rede de apoio é fundamental porque divide os cuidados. Muitas mães relatam que só elas podem cuidar dos filhos, e isso gera uma sobrecarga enorme”, destacou.

Ela ainda fez um apelo à sociedade: “Se você conhece uma mãe atípica, pergunte: como posso te ajudar? Só isso já faz muita diferença”.

Acolhimento e acesso à terapia

Durante o programa, também foi apresentado o trabalho da Clínica Acolher, que oferece atendimento psicológico com valores acessíveis para mães e pais atípicos.

“Sabemos que existe não só o esgotamento emocional, mas também o financeiro. Por isso buscamos oferecer um atendimento especializado e mais acessível”, explicou Ravena.

Pequenas práticas que fazem diferença

Questionada sobre ações práticas para o dia a dia, a psicóloga destacou a importância do autocuidado, mesmo em meio à rotina intensa.

“Reconhecer as próprias emoções é o primeiro passo. Se observar, entender o que está sentindo e buscar pequenos cuidados, como arrumar o cabelo, fazer uma atividade física em casa, já ajuda muito”, orientou.

Ela também ressaltou a importância de pedir ajuda. “Nem toda pessoa forte é forte o tempo todo. É preciso reconhecer quando não está bem e pedir apoio”.

As psicólogas deixaram uma mensagem de incentivo para mães e pais atípicos.

“Você não é apenas uma mãe atípica. É uma mulher com sonhos, desejos e projetos. Olhe para si com mais carinho e respeito”, afirmou Ravena.

Olívia reforçou a importância de manter pensamentos positivos: “Guarde palavras de esperança e traga para sua mente aquilo que te fortalece. Que você tenha uma semana abençoada e cheia de realizações”.

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