Igreja marca primeiro ano da morte de Papa Francisco com orações e homenagens
Celebrações no Brasil e no Vaticano marcam data com Eucaristia, oração do terço e reflexões sobre o legado de misericórdia e proximidade deixado pelo pontífice

Um ano após a morte do Papa Francisco, a Igreja Católica vive, nesta terça-feira (21), um dia de memória, oração e reflexão sobre o legado deixado pelo pontífice. Francisco faleceu às 7h35 do dia 21 de abril de 2025, na Casa Santa Marta, no Vaticano, após complicações de saúde.
Cinco dias depois, foram celebradas as exéquias e, atendendo ao seu desejo, o corpo do papa foi sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, local de profunda devoção pessoal. Um ano depois, a basílica se prepara para uma programação especial em homenagem ao pontífice.
De acordo com a programação oficial, as celebrações têm início às 17h (horário local), na Capela Paolina, com a oração do terço, espaço que recebeu o papa diversas vezes ao longo de seu pontificado. Em seguida, será inaugurada uma placa comemorativa destacando a ligação de Francisco com a imagem da Salus Populi Romani.
A inscrição, em latim, recorda que o pontífice esteve em oração diante da imagem por 126 vezes e ressalta sua decisão de repousar na basílica, reforçando o vínculo espiritual com o local.
Para o arcebispo de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, a data vai além de uma simples lembrança histórica e deve ser vivida como um momento de fé ativa.
“No aniversário da morte do Papa Francisco, a Igreja não celebra simplesmente uma recordação, mas vive um verdadeiro memorial de fé, de gratidão e compreensão.”
Segundo ele, a principal orientação é a vivência espiritual por meio da oração e da participação na Eucaristia.
“Somos convidados a participar da Eucaristia em sufrágio, oferecendo a Eucaristia por aquele que foi pastor universal. Além disso, é recomendada a oração pessoal e comunitária, a liturgia das horas e momentos de adoração.”
Dom Zanoni também destacou que o legado de Francisco deve ser colocado em prática no cotidiano:
“O maior tributo que podemos prestar não está apenas nas palavras, mas na vida. Manter viva a sua mensagem é assumir atitudes concretas: cuidar dos pobres, da casa comum, promover a paz e viver com simplicidade.”
A morte do pontífice também impactou profundamente fiéis que viviam experiências religiosas naquele momento. O empresário Jair Mota, da Peregrinação Viagens e Turismo, relembrou a emoção de conduzir um grupo à Europa no dia do falecimento.
“Aquilo não foi uma coincidência, foi um chamado. Estávamos a caminho da Europa quando recebemos a notícia. A viagem deixou de ser apenas uma peregrinação e passou a ser uma experiência espiritual viva.”
Segundo ele, a chegada a Roma transformou a vivência dos peregrinos.
“Não éramos apenas turistas religiosos, éramos testemunhas de um momento histórico. Houve silêncio, reflexão, reconciliação. Pessoas que voltaram diferentes, mais sensíveis e mais conectadas com Deus.”
Para Jair, o principal ensinamento deixado por Francisco permanece atual.
“O legado dele era muito claro: uma Igreja próxima, humana, que acolhe. Um ano depois, o que permanece não é a tristeza, mas a responsabilidade de viver aquilo que ele nos ensinou.”
Na Catedral Metropolitana de Sant’Ana, uma missa especial será celebrada às 17h desta terça-feira em memória do pontífice. O pároco, Padre Paulo Tarso, destacou o significado da data para os fiéis.
“Celebrando um ano da sua Páscoa convidados a viver esta data com fé e esperança, em atitude de oração e gratidão, renovando o nosso compromisso com o Evangelho.”
O sacerdote relembrou ainda o último gesto público de Francisco, na Páscoa de 2025:.
“Mesmo bastante debilitado, ele fez questão de conceder a bênção aos fiéis. Foi um gesto profundamente simbólico, que marcou seu testemunho até o fim.”
Padre Paulo também recordou a experiência vivida em Roma dias após a morte do papa.
“Era muito forte o clima de comoção e oração. Visitar o túmulo na Basílica de Santa Maria Maior foi um momento de profundo recolhimento.”
Entre os ensinamentos mais marcantes deixados por Papa Francisco, a misericórdia é apontada como central. Para Padre Paulo Tarso, esse foi o eixo do pontificado.
“Sem dúvida, a misericórdia. Ele nos chamou a viver uma fé concreta, marcada pelo acolhimento, pela escuta e pela proximidade com os mais frágeis.”
O conceito de uma “Igreja samaritana”, frequentemente citado por Francisco, também segue como inspiração:
“Uma Igreja que se inclina sobre as feridas da humanidade e cuida de quem mais precisa. Esse é um ensinamento extremamente atual.”
*Com informações da repórter Isabel Bomfim






