Estudo aponta reganho acelerado de peso após suspensão de canetas emagrecedoras, alerta cardiologista
Suspensão do medicamento sem estratégia adequada pode levar a ganho de peso mais rápido

Um estudo recente reacendeu o debate sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras e o risco de reganho de peso após a interrupção do tratamento. O tema foi abordado no quadro Momento IDM Cardio, em entrevista com o cardiologista Dr. Germano Lefundes, que explicou os dados do levantamento, contextualizou os resultados e reforçou a importância do acompanhamento médico e multidisciplinar no tratamento da obesidade.
Segundo o especialista, o estudo analisou dados de 37 pesquisas científicas, comparando pacientes que utilizaram medicamentos injetáveis de última geração, como semaglutida e tirzepatida, com grupos que fizeram tratamento sem medicamentos, apenas com mudança de estilo de vida ou placebo.
“Esse estudo reuniu dados de diversos trabalhos e comparou quem usou as canetas emagrecedoras com grupos que não utilizaram medicação. O que se observou foi que, após a interrupção, quem usou a medicação teve um reganho de peso mais rápido e mais pronunciado”, explicou o cardiologista.
O dado chamou atenção internacionalmente. Nos Estados Unidos, uma enquete mostrou que quase 50% das pessoas com obesidade tinham interesse em utilizar as canetas. No entanto, quando informadas sobre o risco de reganho acelerado, apenas 14% mantiveram o interesse.
“É importante trazer o real significado desse dado, para não afastar pessoas que podem se beneficiar da medicação”, alertou Dr. Germano.
O cardiologista destaca que o reganho mais rápido não acontece simplesmente porque a medicação foi suspensa, mas porque a perda de peso inicial foi muito maior em quem utilizou os medicamentos.
“Quem usou a medicação perdeu muito peso. Quando interrompe, o gráfico mostra uma elevação mais acentuada exatamente porque a perda foi expressiva. Eu ganho proporcionalmente aquilo que eu perdi”, afirmou.
Ele explica que o fenômeno está relacionado ao funcionamento do hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle do peso corporal.
“O nosso cérebro entende que o maior peso que já tivemos é o ‘peso ideal’. Quando ocorre perda de peso, ele interpreta como uma ameaça e tenta trazer o corpo de volta ao peso anterior. Isso acontece com ou sem medicação, mas é mais rápido quando a perda foi maior”, detalhou.
As canetas atuam principalmente reduzindo a fome e aumentando a sensação de saciedade, por meio da comunicação entre intestino e cérebro.
Dr. Germano reforçou que o grande erro está em usar as canetas de forma isolada, sem mudanças no estilo de vida.
“O remédio é apenas parte da estratégia. O tratamento da obesidade deve obrigatoriamente incluir terapia nutricional, atividade física e acompanhamento comportamental”, afirmou.
Ele compara o tratamento ao de doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
“Assim como o hipertenso precisa do remédio e também cuidar da alimentação e do exercício, o paciente com obesidade precisa entender que a medicação sozinha não resolve.”
O médico alertou ainda para a interrupção precoce do tratamento, muitas vezes motivada pelo alto custo das medicações.
“Existem estudos que mostram que, em um ano, cerca de 50% das pessoas interrompem o uso das canetas. É nessa hora que o acompanhamento médico se torna fundamental.”
Entre as estratégias possíveis estão o ajuste de dose, o espaçamento entre aplicações e até a associação com medicamentos orais, sempre de forma individualizada.
“Não é pegar a canetinha, aplicar e pronto. É um tratamento multidisciplinar e contínuo”, ressaltou.
De acordo com o cardiologista, os maiores beneficiados são pacientes com obesidade ou sobrepeso associado a risco cardiovascular, já que os medicamentos demonstram, inclusive, redução do risco cardíaco.
“Essas medicações são muito seguras do ponto de vista cardiovascular e trazem grande benefício para quem tem maior risco”, afirmou.
No entanto, ele ressalta que nem todos os pacientes precisam das canetas.
“Há perfis que podem ser tratados com medicações orais, com efeito mais modesto, mas custo menor. O tratamento precisa ser individualizado.”
Para quem pensa em iniciar o uso das canetas emagrecedoras, o Dr. Germano deixou um recado direto:
“Os medicamentos são seguros quando bem indicados. Esse estudo não deve gerar medo, mas sim reforçar que o uso precisa ser orientado por um médico, com acompanhamento contínuo e multiprofissional.”
O cardiologista informou ainda que irá publicar, em suas redes sociais, gráficos que ajudam a compreender melhor os dados do estudo.
“As manchetes assustam, mas não dizem toda a verdade. Não é que a pessoa vai ganhar quatro vezes mais peso, é uma velocidade maior de ganho quando há interrupção sem estratégia”, concluiu.







