Especialista alerta para riscos de práticas caseiras em queimaduras e orienta primeiros socorros adequados
Uso de pasta de dente, café e manteiga pode agravar lesões e aumentar risco de infecção

Queimaduras são acidentes comuns no dia a dia, mas ainda cercados de práticas equivocadas que podem agravar o quadro clínico. A estomaterapeuta Áquilla Chahinne fez um alerta sobre os cuidados corretos e destacou os riscos de métodos caseiros ainda utilizados por muitas pessoas.
A especialista chamou atenção para o uso de substâncias como pasta de dente, café e manteiga, frequentemente aplicadas de forma inadequada.
“Essa prática é perigosa. Esses produtos geram risco de infecção e uma queimadura que poderia cicatrizar de forma rápida e simples acaba se tornando um ferimento complexo, com uma carga bacteriana alta”, explicou.
Áquilla detalhou que existem diferentes níveis de queimaduras, que exigem cuidados distintos.
“As queimaduras podem ser superficiais ou profundas. Tem casos que chegam a atingir tendão, musculatura ou até o osso”, destacou.
Segundo ela, a queimadura mais comum no cotidiano é a de segundo grau, caracterizada pela formação de bolhas e atingindo duas camadas da pele. No entanto, alguns sinais indicam maior gravidade e necessidade de atendimento hospitalar imediato.
“Quando a queimadura apresenta aspecto escuro ou esbranquiçado, quando há tecido exposto ou quando atinge áreas como rosto, mãos, pés ou região íntima, é fundamental procurar um hospital”, orientou.
A estomaterapeuta reforçou que o tratamento incorreto pode trazer consequências sérias para o paciente.
“O principal risco é a infecção. Além disso, pode ocorrer necrose, que é a morte do tecido”, afirmou.
Ela relatou casos em que o uso de materiais inadequados agravou significativamente lesões inicialmente simples.
“Recebi um paciente com uma queimadura superficial que necrosou pelo uso errado de produtos. Em outro caso, uma cobertura aplicada de forma inadequada também provocou necrose”, contou.
De acordo com Áquilla, o avanço da tecnologia tem permitido tratamentos mais rápidos e menos dolorosos.
“Quando o paciente procura atendimento rapidamente, conseguimos resolver em um, dois ou três curativos. Utilizamos laser para estimular a cicatrização, formação de vasos e produção de colágeno”, explicou.
Ela também destacou o uso de coberturas modernas.
“São materiais atraumáticos, que não doem na retirada e ainda protegem a ferida, além de produtos que combatem bactérias e permanecem mais tempo no local”, disse.
A especialista alertou que muitas pessoas demoram para buscar atendimento, o que pode piorar o quadro.
“Recebemos um paciente que ficou treze dias tratando de forma inadequada. Nesse período, a queimadura evoluiu com piora significativa”, relatou.
Segundo ela, o ideal é procurar ajuda logo após o primeiro atendimento hospitalar.
“Ocorreu a queimadura, vá à unidade hospitalar, faça os primeiros cuidados e já inicie o tratamento especializado”, orientou.
Áquilla também explicou quais são as atitudes corretas imediatamente após uma queimadura.
“A primeira atitude é colocar o local na água corrente por cerca de vinte minutos para resfriar”, explicou.
Outras medidas importantes incluem retirar objetos que possam causar compressão, como anéis e pulseiras, proteger a área e buscar atendimento médico.
“É importante retirar adornos, cobrir com um pano limpo e seco e procurar um hospital. E nunca aplicar produtos caseiros”, reforçou.
A especialista fez um apelo para que a população não subestime feridas e queimaduras.
“Quanto mais rápido procurar um serviço especializado, maiores são as chances de cicatrização. Feridas crônicas podem ter tratamento, mas é preciso agir a tempo”, concluiu.






