Convenção Coletiva do Comércio entra em fase final de negociação
Feriados e reajuste salarial são últimos entraves da Convenção

As negociações entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores do comércio de Feira de Santana estão próximas de um desfecho. A avaliação foi feita pelo presidente do Sindicato do Comércio (Sicomércio), Marco Silva, ao comentar o andamento das discussões da Convenção Coletiva de Trabalho.
Segundo o dirigente, apesar de ainda restarem alguns pontos pendentes, houve uma evolução importante no diálogo entre as partes desde a virada do ano.
“Com a chegada do novo ano, entendemos que era o momento de avançar. Tivemos uma grande evolução, mas ainda faltam pequenos detalhes, por isso não podemos divulgar os números, porque não estão fechados”, explicou.
Um dos principais entraves, de acordo com Marco Silva, é a forma de pagamento das diferenças salariais referentes aos meses de novembro, dezembro e ao décimo terceiro salário. Ele destacou que a definição precisa considerar tanto o impacto para os trabalhadores quanto para as empresas.
“Existe um impacto grande para o trabalhador, que tem valores a receber, mas também para as empresas, que precisam juntar essa diferença de uma vez só. Estamos discutindo se isso será pago integralmente ou por meio de um parcelamento rápido, de forma organizada”, afirmou.
Outro fator que influencia as negociações é a sobrecarga enfrentada pelos escritórios de contabilidade.
“As contabilidades também estão muito impactadas, o que exige cuidado na definição desse formato de pagamento”, acrescentou.
Apesar disso, o presidente do Sicomércio ressaltou o clima positivo do diálogo e afirmou que a assinatura do acordo deve acontecer em breve.
“Foi muito positivo. A expectativa é fechar tudo já na próxima reunião para divulgar, assinar e encaminhar ao mediador do Ministério do Trabalho”, disse.
Para Marco Silva, o principal ganho será para toda a cadeia do comércio local.
“Os ânimos foram colocados no lugar. Quem vai ganhar com isso é o comércio de Feira de Santana, tanto os trabalhadores quanto os empresários”, concluiu, agradecendo também a cobertura da imprensa.
Pelo lado dos trabalhadores, o presidente do SECOFS – Sindicato dos Empregados do Comércio de Feira de Santana, Antônio Cedraz, também reconheceu que a maior parte da Convenção Coletiva já foi definida, embora ainda haja pendências, sobretudo em relação aos feriados e ao salário base da categoria.
“A gente ainda não fechou 100%. Cerca de 90% ou mais da convenção já foi acordada, mas ficaram dois pontos mais polêmicos”, afirmou.
Antônio Cedraz explicou que algumas datas de funcionamento do comércio em feriados já foram definidas, mas outras ainda precisam de consenso entre as partes.
“Já temos algumas datas definidas, mas outras ainda precisam ser alinhadas e decididas na convenção coletiva”, disse.
Segundo ele, o tema dos feriados tem sido o mais delicado da negociação.
“Existe uma pressão grande em relação aos feriados. Muitos caem em segunda ou sexta-feira, e precisamos conscientizar que a negociação é feita de dar e receber. Não é possível impor tudo de um lado só”, avaliou.
O sindicalista destacou ainda que o equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores e do setor patronal é essencial para a conclusão do acordo.
“O setor patronal também precisa de equilíbrio. Estamos buscando esse consenso, principalmente sobre os feriados, além de pontos menores e do valor base do salário do comércio de Feira de Santana”, acrescentou.
Uma nova reunião já está marcada e, segundo as lideranças sindicais, a expectativa é de que os ajustes finais sejam feitos e a Convenção Coletiva seja oficialmente fechada nos próximos dias.
*Com informações do repórter Robson Nascimento






