Dólar abaixo de R$ 5 anima mercado, mas tendência pode ser temporária, avalia economista
Queda da moeda americana reduz pressão sobre a inflação, barateia importados e reflete cenário externo favorável, mas pode não se sustentar

Em um dia de forte otimismo no mercado financeiro, o dólar fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos nesta segunda-feira (13), cotado a R$ 4,997, com queda de 0,29%. O movimento reforça a valorização do real, que já acumula alta de 8,96% frente à moeda norte-americana em 2026, e impacta diretamente a economia brasileira.
Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, o economista Amarildo Gomes destacou que a queda do dólar traz efeitos positivos, especialmente no controle da inflação e no custo de produtos importados.
“Isso é muito bom. Ao mesmo tempo que você tem aumento do preço do petróleo a nível internacional, você tem uma redução no valor do dólar. Isso ajuda a economia, porque você precisa de menos dólar para comprar combustível, criando um equilíbrio”, explicou.
Segundo o economista, como grande parte dos produtos consumidos no Brasil é dolarizada, a queda da moeda americana reduz a pressão inflacionária.
“Se o dólar fica mais barato, você compra mais mercadorias. Isso diminui a inflação. Um iPhone, por exemplo, equipamentos eletrônicos, peças automotivas, tudo isso tende a cair de preço”, afirmou.
Fatores internacionais influenciam queda
Amarildo ressaltou que o cenário internacional tem papel fundamental nesse movimento. A sinalização de diálogo entre Estados Unidos e Irã, em meio a tensões geopolíticas, contribuiu para uma migração de investimentos para mercados como o brasileiro.
“À medida que os Estados Unidos abrem diálogo com o Irã e há possibilidade de redução de conflitos, os grandes investidores vão para o mercado de capitais e deixam de comprar dólar. Com mais dólar disponível, o preço cai”, pontuou.
Além disso, o bom desempenho das exportações brasileiras também contribui para o aumento da oferta da moeda estrangeira no país.
Juros elevados atraem capital estrangeiro
Outro fator destacado pelo economista é a alta taxa de juros no Brasil, que tem atraído capital internacional, especialmente de caráter especulativo.
“O Brasil está pagando muito ao capital que vem de fora. Com juros de 14,75%, mesmo descontando impostos, ainda sobra cerca de 12%. Nenhum outro país paga isso. Isso atrai investimentos e aumenta a entrada de dólares”, explicou.
Ele alerta, no entanto, que esse tipo de capital pode ser volátil.
“A especulação tem um lado positivo e negativo, porque é um dinheiro que entra e sai rapidamente”, disse.
Tendência é de ajuste no câmbio
Apesar do cenário favorável, Amarildo acredita que o dólar não deve permanecer abaixo de R$ 5 por muito tempo.
“Foi uma queda acentuada, cerca de 5% em uma semana, mas acredito que ele deve voltar para a casa de R$ 5,05 a R$ 5,10 em breve”, projetou.
Bolsa em alta histórica
O bom momento também foi refletido na bolsa de valores brasileira. O Ibovespa fechou em alta de 0,34%, aos 198.001 pontos, renovando sua máxima histórica, impulsionado principalmente pelas ações de commodities e pela entrada de capital estrangeiro.
O índice chegou a ultrapassar os 198 mil pontos durante o pregão, refletindo o otimismo global e a confiança dos investidores no mercado brasileiro.







