Economia

Inflação dos alimentos pressiona cesta básica e encarece custo de vida em Feira de Santana

Segundo o levantamento, os gastos com a cesta básica comprometem cerca de 39,85% do salário mínimo em Feira de Santana

10/04/2026 16h19
Inflação dos alimentos pressiona cesta básica e encarece custo de vida em Feira de Santana
Foto: PhotoMIX Company

O custo da cesta básica segue em alta nas capitais brasileiras, pressionando o orçamento das famílias e exigindo mais horas de trabalho para garantir itens essenciais. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, cidades como Manaus (7,42%), Salvador (7,15%) e Recife (6,97%) registraram os aumentos mais expressivos. Outras capitais, como Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, João Pessoa e Fortaleza, também apresentaram elevação.

Na contramão, o açúcar foi um dos poucos produtos a registrar queda no preço médio em 19 cidades, reflexo do aumento da oferta.

Entre os maiores custos nominais da cesta básica, além de São Paulo, destacam-se Rio de Janeiro e Cuiabá. Considerando o salário mínimo atual de R$ 1.621, o trabalhador dessas cidades precisa destinar cerca de 109 horas de trabalho para adquirir os itens básicos.

Para o economista Gesner Brehmer, o aumento dos preços está ligado a fatores externos e internos que impactam diretamente a cadeia de produção.

“O aumento da inflação dos alimentos da cesta básica em todas as capitais do país é fruto de uma conjuntura de dois fenômenos que, à primeira vista, não parecem ter relação direta com os alimentos”, explica.

Segundo ele, o cenário internacional tem papel determinante.

“O aumento do tensionamento internacional, sobretudo envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, eleva o preço do petróleo, que é essencial para a produção econômica. Isso aumenta os custos e pressiona os preços dos alimentos”, afirma.

Outro fator relevante é a questão climática.

“O período de menor incidência de chuvas reduz a produção. Temos uma espécie de ‘tempestade perfeita’, com aumento de custos e queda na oferta, o que leva ao reajuste dos preços”, pontua.

Feira de Santana também sente impacto

Em Feira de Santana, o cenário acompanha a tendência nacional, com alta expressiva no mês de março. Segundo a economista Verônica Ferreira, coordenadora do programa Conhecendo a Economia Feirense, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a cesta básica apresentou aumento significativo.

“O boletim da cesta básica do mês de março apresentou uma alta de 8,3%, fechando o mês em R$ 597,38”, destaca.

De acordo com ela, praticamente todos os produtos registraram aumento, com destaque para hortaliças e itens básicos do dia a dia.

“Quase todos os produtos tiveram aumento de preço em comparação ao mês anterior, principalmente o tomate, a banana da prata e o feijão, que já vinham em alta nos últimos meses”, explica.

Entre os poucos itens que apresentaram redução estão o café, a manteiga e o óleo de soja.

A economista aponta que a elevação nos preços está diretamente ligada à redução da oferta e ao aumento dos custos logísticos.

“No caso do tomate e da banana, há uma redução da oferta por conta do período de entressafra. Já os demais produtos sofrem impacto do aumento do preço dos combustíveis, que são essenciais para o transporte dos alimentos”, afirma.

Ela também destaca a influência do cenário internacional.

“Os conflitos internacionais acabam impactando diretamente a nossa vida, principalmente por meio do aumento dos combustíveis”, completa.

Peso no bolso do trabalhador

O impacto já é significativo para os trabalhadores feirenses. Segundo o levantamento, os gastos com a cesta básica comprometem cerca de 39,85% do salário mínimo.

“Esse valor é calculado para um único indivíduo. Para uma família com quatro pessoas, o custo com alimentação pode ultrapassar os R$ 2 mil”, alerta Verônica.

No cenário nacional, o tempo médio necessário para adquirir a cesta básica também aumentou. Em março, foram necessárias 97 horas e 55 minutos de trabalho, contra 93 horas e 53 minutos em fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a jornada média chega a 106 horas e 24 minutos nas 17 capitais analisadas.

Apesar da alta, especialistas apontam que o cenário pode ser temporário. No entanto, a continuidade dos conflitos internacionais e da estiagem pode prolongar a pressão sobre os preços, mantendo a cesta básica em patamares elevados e impactando diretamente o custo de vida da população.

*Com informações dos repórteres Rafael Marques e Robson Nascimento

Comentários

Leia também

Economia
Diesel verde surge como alternativa promissora na transição energética, avalia especialista da UFRB

Diesel verde surge como alternativa promissora na transição energética, avalia especialista da UFRB

Combustível apresenta maior eficiência, redução de emissões e pode ser utilizado sem...
Economia
Governo avalia uso do FGTS para quitar dívidas em novo pacote de crédito, diz Durigan

Governo avalia uso do FGTS para quitar dívidas em novo pacote de crédito, diz Durigan

Medida em estudo pode incluir desconto de até 80% e mira reduzir endividamento de famílias...
Economia
Governo vai aumentar preço mínimo do cigarro para compensar redução de imposto sobre combustíveis

Governo vai aumentar preço mínimo do cigarro para compensar redução de imposto sobre combustíveis

Governo eleva IPI e reajusta valor mínimo da carteira para equilibrar perda com redução...