Maternidade atípica e saúde mental: quem cuida de quem cuida?
Especialistas alertam para o esgotamento físico e mental de mulheres que cuidam de filhos com desenvolvimento atípico e defendem mais acolhimento e suporte social.

O quadro Saúde Mental em Pauta, apresentado pela psicóloga Olívia Magalhães no Programa Cidade em Pauta, abordou nesta semana um tema sensível e necessário: a saúde mental de mães atípicas. A edição contou com a participação da psicóloga obstétrica e perinatal Ravena Leite, que trouxe reflexões sobre os desafios enfrentados por famílias que convivem com crianças com desenvolvimento atípico.
Durante o programa, Ravena Leite explicou o conceito de maternidade atípica, ainda pouco compreendido por grande parte da população.
“A maternidade atípica é aquela vivenciada fora do esperado. São mães que cuidam de crianças com desenvolvimento diferente, como autismo, TDAH ou outras questões neurológicas, o que exige mais terapias e mais cuidados”, explicou.
Segundo a especialista, essa realidade impõe uma rotina mais intensa e desafiadora em comparação à maternidade considerada típica.
Sobrecarga emocional e rotina intensa
Ravena detalhou os impactos emocionais enfrentados por essas mães, destacando o esgotamento físico e mental.
“É uma luta diária. Existe um esgotamento muito grande, porque a mãe precisa dar conta de escola, terapias e cuidados constantes”, pontuou.
Ela também chamou atenção para quadros de ansiedade e depressão, comuns nesse contexto.
“Essa mãe vive em hipervigilância, sempre atenta ao comportamento da criança. Isso gera ansiedade, dificuldade para dormir e até sintomas depressivos, porque muitas vezes ela abre mão da própria vida”, disse.
Rede de apoio é fundamental
Outro ponto central da discussão foi a importância da rede de apoio. De acordo com Ravena, o suporte, seja da família, amigos ou até vizinhos, faz diferença significativa na qualidade de vida dessas mulheres.
“A rede de apoio é fundamental porque divide os cuidados. Muitas mães relatam que só elas podem cuidar dos filhos, e isso gera uma sobrecarga enorme”, destacou.
Ela ainda fez um apelo à sociedade: “Se você conhece uma mãe atípica, pergunte: como posso te ajudar? Só isso já faz muita diferença”.
Acolhimento e acesso à terapia
Durante o programa, também foi apresentado o trabalho da Clínica Acolher, que oferece atendimento psicológico com valores acessíveis para mães e pais atípicos.
“Sabemos que existe não só o esgotamento emocional, mas também o financeiro. Por isso buscamos oferecer um atendimento especializado e mais acessível”, explicou Ravena.
Pequenas práticas que fazem diferença
Questionada sobre ações práticas para o dia a dia, a psicóloga destacou a importância do autocuidado, mesmo em meio à rotina intensa.
“Reconhecer as próprias emoções é o primeiro passo. Se observar, entender o que está sentindo e buscar pequenos cuidados, como arrumar o cabelo, fazer uma atividade física em casa, já ajuda muito”, orientou.
Ela também ressaltou a importância de pedir ajuda. “Nem toda pessoa forte é forte o tempo todo. É preciso reconhecer quando não está bem e pedir apoio”.
As psicólogas deixaram uma mensagem de incentivo para mães e pais atípicos.
“Você não é apenas uma mãe atípica. É uma mulher com sonhos, desejos e projetos. Olhe para si com mais carinho e respeito”, afirmou Ravena.
Olívia reforçou a importância de manter pensamentos positivos: “Guarde palavras de esperança e traga para sua mente aquilo que te fortalece. Que você tenha uma semana abençoada e cheia de realizações”.







