Abril marca conscientização sobre Parkinson e especialistas destacam importância do diagnóstico precoce e reabilitação
Especialistas reforçam importância da informação e do acompanhamento multidisciplinar

O mês de abril é dedicado à conscientização sobre a Doença de Parkinson, e o tema ganhou destaque no programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM. O quadro Neuroreabilitação em Pauta contou com a participação do fisioterapeuta Vinícius Oliveira e da médica neurologista Dra. Keyla Abreu, que esclareceram dúvidas e destacaram avanços no tratamento da doença.
A médica explicou de forma clara o que caracteriza a doença. “A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, em que há a falta de uma substância no cérebro chamada dopamina, que facilita o movimento. Com isso, o paciente passa a ter dificuldade de se movimentar”, explicou.
Ela destacou ainda que, embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, não é o único. “A lentidão é o principal sintoma. O paciente começa a ficar mais lento, com passos curtos, menor balanço dos braços e dificuldade para responder”, pontuou.
Sobre as causas, Dra. Keyla reforçou que ainda não há uma definição exata. “A causa da doença de Parkinson ainda não é completamente conhecida. Existem hipóteses, como associação a pesticidas e estilo de vida, mas o principal fator relacionado é o envelhecimento”, afirmou.
Segundo ela, a maioria dos casos ocorre em pessoas acima dos 60 anos. “Cerca de 90% dos casos são esporádicos, ou seja, não têm relação genética”, completou.
A especialista orientou que, ao identificar sintomas, o primeiro passo é buscar um neurologista. “Nem todo tremor é doença de Parkinson. É preciso uma avaliação clínica completa para fechar o diagnóstico”, alertou.
Em relação ao tratamento, ela destacou os avanços da medicina. “Hoje temos diversas opções, desde medicações orais e injetáveis até cirurgia. O objetivo é que o paciente viva bem e mantenha suas atividades do dia a dia”, explicou.
Um dos destaques é a chamada estimulação cerebral profunda (DBS). “É como um marca-passo cerebral. A gente implanta eletrodos no cérebro e consegue modular os sintomas, reduzindo inclusive a necessidade de medicamentos”, detalhou.
O fisioterapeuta Vinícius reforçou o papel da reabilitação no tratamento. “A fisioterapia começa com uma avaliação criteriosa e segue com um plano individualizado. Mesmo sendo uma doença progressiva, é possível ter ganhos funcionais”, destacou.
Ele também chamou atenção para o impacto do sedentarismo. “Muitas vezes o que parece evolução da doença é consequência da falta de atividade física. O paciente pode melhorar muito com estímulo adequado”, afirmou.
Dra. Keyla reforçou essa importância ao final da entrevista. “A atividade física é primordial. Foi a única intervenção que mostrou redução na progressão da doença associada à reabilitação”, disse.
Outro ponto destacado foi o papel da família no cuidado com o paciente. “A família faz parte da equipe de reabilitação. É importante estimular o paciente a manter sua autonomia”, explicou Vinícius.
A neurologista também alertou para sintomas emocionais. “O paciente pode desenvolver apatia e depressão por conta da doença. Isso precisa ser compreendido pela família e tratado adequadamente”, pontuou.
Entre os avanços mais recentes, a médica citou novas formas de administração de medicamentos.
“Estamos estudando o uso de medicações subcutâneas contínuas, como uma bombinha semelhante à de insulina, que pode facilitar o tratamento”, revelou.
A especialista deixou um alerta importante. “Nem todo paciente com Parkinson tem tremor, e a atividade física é essencial para reduzir a progressão da doença”, concluiu.







