Dia Mundial de Combate ao Câncer: especialista alerta para riscos dos ultraprocessados
Especialista explica diferenças entre alimentos processados e ultraprocessados e destaca que consumo frequente pode aumentar o risco de doenças, incluindo o câncer

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, a médica nutróloga Aline Jardim chamou atenção para um tema cada vez mais presente na rotina alimentar da população: o consumo de alimentos processados e ultraprocessados. A especialista explicou como diferenciar esses produtos e os impactos que eles podem causar à saúde.
Segundo a médica, embora ambos sejam industrializados, existe uma diferença importante entre eles.
“Os alimentos processados são aqueles alimentos in natura que não perdem suas características. A indústria apenas ajuda a conservá-los, como a sardinha enlatada, o atum e o leite. Eles têm poucos aditivos”, explicou.
Já os ultraprocessados exigem maior atenção. “São alimentos com muitos aditivos químicos e praticamente ‘inventados’ pela indústria alimentícia, como salgadinhos, refrigerantes e biscoitos recheados”, destacou.
Aline Jardim reforçou que a leitura dos rótulos é essencial para o consumidor fazer escolhas mais conscientes.
“Quando você vê mais de quatro substâncias com nomes difíceis, que você nem sabe o que é, desconfie e evite consumir”, orientou.
A nutróloga também alertou para um erro comum na percepção de alimentos considerados “saudáveis”.
“Às vezes pensamos que estamos consumindo um alimento simples, como uma batata congelada, mas quando olhamos o rótulo, o que menos tem ali é batata. Existem muitos aditivos para dar textura e sabor”, afirmou.
Impactos na qualidade nutricional
A especialista explicou que o grau de processamento interfere diretamente no valor nutricional dos alimentos.
“Quando consumimos alimentos in natura ou processados, estamos ingerindo nutrientes importantes, como proteínas, gorduras boas e vitaminas. Já nos ultraprocessados, muitas vezes não há valor nutricional significativo”, disse.
Ela ainda fez um alerta sobre o efeito desses produtos no organismo. “São produtos que estimulam o cérebro a querer consumir mais, criando um ciclo de consumo frequente”, pontuou.
Relação com o câncer e outros riscos
Dra. Aline destacou que o consumo frequente de ultraprocessados está associado a diversos problemas de saúde, incluindo o câncer.
“A Organização Mundial da Saúde coloca alguns desses alimentos como fatores de risco. O problema está na exposição diária”, afirmou.
A médica citou exemplos como embutidos e bebidas industrializadas. “Presunto, salsicha, refrigerantes e outros produtos ultraprocessados entram nessa lista de alerta. Quem consome esses alimentos todos os dias precisa ficar mais atento ao risco aumentado”, disse.
Apesar disso, ela pondera que o consumo eventual não é determinante para o desenvolvimento da doença.
“Se a pessoa tem um estilo de vida saudável e consome esses alimentos ocasionalmente, o próprio corpo consegue lidar melhor. O problema é a repetição diária”, explicou.
Outro ponto destacado foi a falsa percepção de alimentos considerados mais saudáveis. “O peito de peru, por exemplo, é um ultraprocessado. Ele é um embutido como o presunto, apenas com outra apresentação”, alertou.
A nutróloga reforçou a importância da moderação e da informação. “O nosso corpo consegue eliminar toxinas, mas quando há exposição constante, ele não dá conta. Por isso, é fundamental reduzir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos mais naturais”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda






