Saúde

Tirzepatida: especialista alerta para benefícios e riscos do uso na saúde da mulher

Médica destaca efeitos além do emagrecimento, como impactos hormonais, queda de cabelo e alterações na saúde íntima

10/04/2026 10h23
Tirzepatida: especialista alerta para benefícios e riscos do uso na saúde da mulher
Foto: Divulgação

O uso da tirzepatida, substância conhecida comercialmente como “Mounjaro”, tem ganhado cada vez mais espaço nos tratamentos de emagrecimento e controle metabólico. Durante o quadro Mulheres em Pauta, a ginecologista Márcia Suely explicou os efeitos do medicamento na saúde da mulher e fez alertas importantes sobre o uso sem acompanhamento profissional.

A especialista destacou que a medicação vem revolucionando tratamentos, mas exige cautela.

“É uma substância que tem realmente mudado a qualidade de vida das mulheres, porque promove um emagrecimento de forma rápida e sustentável. No entanto, a gente precisa ter muito cuidado com o uso”, afirmou.

Segundo a médica, a tirzepatida é indicada principalmente para obesidade e diabetes, mas já vem sendo utilizada em outras situações clínicas, como em pacientes com síndrome dos ovários policísticos.

“Ela é um peptídeo que imita hormônios intestinais, atuando no esvaziamento gástrico e no centro da saciedade. Ou seja, reduz a fome e melhora a resistência à insulina”, explicou.

Apesar dos benefícios, a especialista reforçou que o uso sem orientação pode trazer efeitos colaterais.

“Ela é segura, sim, desde que o profissional saiba conduzir. Não é uma substância livre de efeitos. Pode causar desconforto gástrico, prisão de ventre e exige preparação antes, durante e depois do tratamento”, alertou.

Dra. Márcia destacou ainda que o erro mais comum é iniciar o uso sem mudança de hábitos.

“Não é só tomar e pronto. Existe toda uma preparação. Se a paciente não se cuida antes, pode ter muitos efeitos colaterais”, disse.

A médica explicou que a tirzepatida pode trazer efeitos indiretos importantes no organismo feminino.

Queda de cabelo: “Pode acontecer, mas não é efeito direto da medicação. Está relacionado ao emagrecimento rápido, que provoca um tipo de queda chamado eflúvio telógeno”, pontuou.

Perda de massa muscular: “Se não houver acompanhamento nutricional, a mulher perde não só gordura, mas também massa magra. E isso é muito preocupante, principalmente após os 40 anos”, destacou.

Outro ponto de atenção é a influência hormonal, especialmente em mulheres na menopausa.

“Com a perda de gordura, há redução do estrogênio, o que pode intensificar sintomas como calor e desconfortos”, explicou.

A especialista também fez um alerta importante sobre anticoncepcionais: “Nas primeiras semanas de uso, pode haver redução do efeito da pílula. É essencial usar outro método, como preservativo, nesse período”, orientou.

A médica também abordou um tema pouco discutido: os impactos na região íntima.

“O emagrecimento pode levar à perda de colágeno e gordura na região íntima, causando ressecamento, flacidez e até diminuição da sensibilidade durante a relação sexual”, afirmou.

Dra. Márcia reforçou que o medicamento pode ser um aliado importante, desde que utilizado com responsabilidade.

“Precisa de acompanhamento multidisciplinar. Com orientação médica, nutricional e cuidados adequados, é possível ter excelentes resultados sem prejuízos à saúde”, concluiu.

A especialista também destacou a importância da informação: “Informação é prevenção. A mulher precisa entender o que está usando e como isso impacta o corpo como um todo”.

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