Menopausa pode dificultar emagrecimento e provocar ganho de peso, alerta nutróloga
Alterações hormonais desaceleram o metabolismo, aumentam a fome e favorecem o acúmulo de gordura

A dificuldade para emagrecer, mesmo mantendo dieta e rotina de exercícios, é uma queixa cada vez mais comum entre mulheres a partir dos 35 anos. Segundo a médica nutróloga Dra. Aline Jardim, esse cenário pode estar diretamente ligado ao período do climatério, fase que engloba a perimenopausa e a menopausa, marcado por intensas alterações hormonais.
“Esse é um assunto que eu recebo todos os dias no consultório. Muitas pacientes dizem: ‘doutora, eu estou comendo a mesma coisa e estou engordando, não consigo mais emagrecer’. E, de fato, esse momento da vida da mulher atrapalha o emagrecimento e ainda favorece o ganho de peso”, explicou.
De acordo com a especialista, o aumento de peso ocorre de forma gradual. “Na perimenopausa, a mulher pode ganhar cerca de um quilo por ano, e na menopausa esse número pode chegar a dois quilos e meio por ano. Quando ela percebe, ganhou dez quilos ao longo do tempo sem se dar conta”, destacou.
A principal explicação está na queda do estradiol, hormônio produzido pelos ovários. “O estradiol começa a oscilar e depois deixa de ser produzido. Ele tem relação direta com a grelina, que é o hormônio da fome, e com a leptina, que é o hormônio da saciedade. Sem esse controle, a mulher sente mais fome e perde a noção de saciedade”, detalhou.
Além disso, o metabolismo também desacelera. “O corpo passa a gastar menos calorias, mesmo que a mulher mantenha os mesmos hábitos alimentares”, afirmou.
Outro efeito importante é a mudança na distribuição da gordura corporal. “Antes, a gordura se concentrava mais em quadris e pernas. Com a menopausa, ela passa a se acumular no abdômen e nas vísceras, aumentando o risco de problemas como esteatose hepática e resistência à insulina”, disse.
A médica alerta que os impactos da menopausa não se limitam à balança. “A mulher perde a proteção cardiovascular, aumenta o risco de infarto e AVC, além de doenças como diabetes e obesidade. São complicações silenciosas”, ressaltou.
Ela também chama atenção para sintomas muitas vezes ignorados. “Névoa mental, irritabilidade, insônia… muitas mulheres acham que é ‘coisa da idade’, mas são sinais importantes da perimenopausa e menopausa que precisam ser avaliados”, afirmou.
A perda de massa muscular é outro fator relevante nesse período. “Nós mulheres começamos a perder músculo, e isso impacta diretamente no metabolismo. Por isso, é fundamental investir em exercícios de força, como musculação ou pilates”, orientou.
Apesar disso, muitas mulheres relatam frustração mesmo com dieta e atividade física. “Isso acontece justamente por todas essas alterações hormonais. Não é só falta de disciplina, é o corpo funcionando de forma diferente”, explicou.
A reposição hormonal pode ser uma aliada, mas não é solução isolada. “Ela melhora cerca de 45% do processo de emagrecimento. Os outros 55% dependem de estratégias como alimentação adequada, controle do sono e manejo do estresse”, pontuou.
A médica reforça a importância de não tentar enfrentar essa fase sozinha. “O principal erro é achar que consegue resolver tudo por conta própria. É necessário acompanhamento médico, e muitas vezes uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, personal trainer e até fisioterapeuta”, destacou.
A orientação é buscar ajuda precoce. “A partir dos 35, 40 anos, a mulher já deve começar a se cuidar. O que vemos hoje são mulheres sofrendo aos 45, 48 anos por não terem iniciado esse acompanhamento antes”, concluiu.







