Saúde

Exercício físico é aliado essencial para saúde e autonomia do idoso, destacam especialistas

Prática regular de exercícios previne doenças, reduz quedas e melhora a autonomia e a saúde mental da população idosa

30/03/2026 23h08
Exercício físico é aliado essencial para saúde e autonomia do idoso, destacam especialistas
Foto: cottonbro studio/Pexels

O exercício físico tem papel fundamental na promoção da saúde e da qualidade de vida da população idosa. O tema foi destaque durante o quadro Neuroreabilitação em Pauta com a participação do fisioterapeuta Vinicius Oliveira, da Reabserv, e do educador físico Orlando Bastos.

Vinicius destacou a importância de trazer profissionais qualificados para discutir o tema com a população.

“Orlando é um profissional que acompanho desde o início da trajetória. Tem uma qualidade diferenciada na biomecânica, no treinamento de força e funcional. É um profissional fora da curva”, afirmou.

Orlando chamou atenção para o crescimento da população idosa no Brasil e a necessidade de olhar para o envelhecimento com mais responsabilidade.

“Hoje já somos a sexta maior população de idosos do mundo e, até 2030, devemos chegar à quinta posição. Mas, em qualidade de vida, estamos muito atrás. Precisamos mudar isso com prevenção e atividade física”, alertou.

Segundo o educador físico, a prática regular de exercícios atua diretamente na prevenção e até no tratamento de diversas doenças.

“O exercício é a melhor ação não medicamentosa na saúde do idoso. Ele atua em três pilares: metabólico, muscular e neurológico”, explicou.

Ele destacou que problemas como diabetes, hipertensão e perda de massa muscular — conhecida como sarcopenia — podem ser amenizados com a prática orientada. Além disso, o fortalecimento ajuda a evitar quedas, um dos principais riscos para idosos.

“Cerca de 40% dos idosos que sofrem queda da própria altura podem ir a óbito em até um ano. Por isso, prevenir é fundamental”, pontuou.

Os especialistas reforçaram que iniciar exercícios sem orientação pode ser perigoso.

“O primeiro passo é procurar um médico, fazer exames e depois buscar um profissional de educação física qualificado. Não se deve começar atividade de forma aleatória”, orientou Orlando.

Ele também desmistificou a ideia de que caminhada é sempre a melhor opção.

“Nem sempre caminhar é seguro. Se o idoso não tem força, mobilidade e equilíbrio, isso pode aumentar o risco de queda”, explicou.

De acordo com Orlando, o treino para idosos precisa ser adaptado e baseado em avaliação individual.

“O idoso é completamente diferente do jovem. O treino precisa trabalhar força, potência e equilíbrio. Esses são pilares fundamentais para manter a funcionalidade”, destacou.

Exercícios simples do dia a dia, como sentar e levantar, já podem contribuir significativamente para o ganho de força e autonomia.

Além dos benefícios físicos, o exercício também tem forte impacto na saúde mental dos idosos.

“Tenho alunos que não conseguiam nem amarrar o próprio tênis. Hoje fazem isso sozinhos. Isso devolve autonomia e autoestima”, relatou Orlando.

Vinicius complementou, destacando que a perda de independência pode levar ao isolamento e até à depressão.

“A falta de mobilidade gera um ciclo negativo: menos atividade, mais isolamento e maior risco de doenças”, disse.

O fisioterapeuta também explicou como a neuroreabilitação pode atuar junto ao exercício físico.

“A gente personaliza o tratamento para melhorar coordenação, equilíbrio e força. Isso serve tanto para reabilitar quanto para prevenir problemas futuros”, afirmou.

Ele ainda ressaltou que, em muitos casos, o acompanhamento com educação física já é suficiente.

“Às vezes, o melhor que o especialista pode fazer é dizer que o paciente não precisa de fisioterapia, porque já está bem assistido”, pontuou.

De acordo com Orlando, o ideal é que o idoso pratique atividades regularmente ao longo da semana.

“O Colégio Americano de Medicina Esportiva recomenda pelo menos 150 minutos de atividade por semana, divididos em duas ou três vezes”, explicou.

Para os especialistas, nunca é tarde para começar.

“Independentemente da idade, quando a pessoa sai da inércia, ela ganha qualidade de vida”, reforçou Vinicius.

Comentários

Leia também

Saúde
Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Médico gastroenterologista destaca relação direta entre emoções, alimentação e saúde...
Saúde
Doenças cardiovasculares avançam entre jovens e acendem alerta sobre estilo de vida, diz cardiologista

Doenças cardiovasculares avançam entre jovens e acendem alerta sobre estilo de vida, diz cardiologista

Especialista aponta sedentarismo, má alimentação, estresse e falta de exames como principais...
Saúde
Bares com uso proibido de celular ganham espaço e acendem alerta sobre “fadiga digital”

Bares com uso proibido de celular ganham espaço e acendem alerta sobre “fadiga digital”

Tendência internacional busca estimular conexões reais e reduzir impactos do uso excessivo...