Quando a vida para: especialista destacam importância do apoio emocional e do autoconhecimento para as mulheres
Ginecologista e psicóloga refletem sobre crises, autoconhecimento e apoio às mulheres.

Durante participação no programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM, a ginecologista Dra. Márcia Suely e a psicóloga clínica Renata de Carvalho falaram sobre o tema “Quando a vida para: o que realmente importa para a mulher?”, abordando momentos de crise, saúde emocional, apoio familiar e o enfrentamento da violência contra a mulher.
A entrevista fez parte de uma edição especial dedicada ao mês da mulher. Dra. Márcia explicou o motivo de sua ausência recente no programa, relatando um momento delicado vivido em sua família após um acidente com seu esposo.
“Eu passei um período um pouco longe de vocês. Muita gente me mandava mensagem perguntando por que eu não estava vindo. Infelizmente tive um problema com meu esposo, que caiu no Carnaval, bateu a cabeça e sofreu um traumatismo craniano. Ele precisou passar por uma cirurgia e ficamos cerca de quinze dias internados entre UTI e recuperação”, relatou.
Segundo a médica, apesar da gravidade da situação, a recuperação foi surpreendente.
“Graças a Deus ele teve uma recuperação fantástica, inclusive acima das expectativas dos médicos. Foi um momento muito difícil e isso me fez refletir muito sobre o que realmente importa na vida”, afirmou.
A partir dessa experiência, Dra. Márcia decidiu trazer o tema para discussão no programa e convidou a psicóloga Renata de Carvalho, especialista no acompanhamento de mulheres que enfrentam ansiedade, depressão, baixa autoestima e situações de violência.
Renata explicou que momentos de crise costumam provocar uma mudança profunda na forma como as pessoas percebem a vida.
“Quando a gente passa por uma crise ou por uma perda, parece que a vida para. O trabalho para, a rotina muda e a gente começa a olhar a vida de uma maneira totalmente diferente. É quando começam as reflexões e a gente passa a valorizar os pequenos detalhes”, afirmou.
Segundo a psicóloga, muitas vezes a correria do cotidiano faz com que as pessoas deixem de valorizar momentos simples com quem amam.
“A gente vive numa rotina muito acelerada, deixando de fazer coisas importantes, como estar presente na vida de quem amamos. Quando algo acontece, percebemos o quanto o simples é valioso”, disse.
Dra. Márcia reforçou que a experiência vivida mudou sua forma de enxergar o dia a dia.
“Em um momento eu pensei: minha vida pode continuar sem ele. Aquilo foi muito forte para mim. Então comecei a respirar mais, a olhar a vida de outra forma e a valorizar cada instante”, contou.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a relação entre saúde emocional e sintomas físicos. De acordo com as especialistas, muitas mulheres chegam aos consultórios com dores que, na verdade, têm origem emocional.
“Eu vejo muitas pacientes que chegam com dores físicas. A gente faz exames, investiga e muitas vezes está tudo normal. Quando aprofundamos, percebemos que aquela dor não é física, é emocional”, destacou Dra. Márcia.
Renata explicou que o corpo costuma manifestar aquilo que a pessoa não consegue expressar.
“O corpo fala. Quando a gente não consegue falar o que sente, isso acaba se manifestando fisicamente. O corpo começa a gritar”, afirmou.
Ela acrescenta que sintomas como tensão muscular, dores nas costas, alterações no ciclo menstrual, insônia e até dificuldades na vida sexual podem estar ligados ao estresse emocional.
“Se a pessoa não libera aquilo que está sentindo, seja tristeza, raiva, angústia, o corpo acaba reagindo. Por isso é importante falar sobre o que está sentindo e buscar ajuda”, orientou.
Ao falar sobre como enfrentar momentos difíceis, Renata destacou que a espiritualidade é um dos pilares mais importantes para dar suporte emocional em situações de crise.
“Independentemente da religião, acreditar que existe algo maior do que nós traz esperança e conforto. A espiritualidade traz uma força muito grande para atravessar momentos difíceis”, afirmou.
Dra. Márcia concordou e ressaltou que as orações e mensagens de apoio recebidas durante o período em que o esposo esteve hospitalizado foram fundamentais.
“As pessoas ligavam dizendo que estavam orando por mim e pela minha família. Isso sustentou a minha fé e me deu força para enfrentar aquele momento”, disse.
Além da espiritualidade, a presença da família e dos amigos também é essencial, segundo as especialistas.
“Às vezes um abraço, uma visita de dez minutos ou uma mensagem já fazem toda a diferença. O importante é a pessoa sentir que não está sozinha”, explicou Renata.
Atenção à violência contra a mulher
Outro tema importante abordado na entrevista foi o aumento dos casos de violência contra a mulher. Renata alertou que muitas vezes a violência começa de forma silenciosa, principalmente por meio de agressões psicológicas.
“A violência raramente começa com agressão física. Ela começa com palavras negativas, críticas, humilhações. Aos poucos isso vai crescendo e pode evoluir para outros tipos de violência”, explicou.
A psicóloga destacou a importância do autoconhecimento como forma de proteção.
“Quando a mulher sabe quem ela é, quando conhece sua identidade, ela consegue perceber quando algo está errado. Mas quando ela não se conhece, acaba acreditando nas palavras negativas do agressor”, disse.
Ela também alertou para o chamado “ciclo da violência”, em que o agressor alterna momentos de agressão e pedidos de desculpa.
“Muitas vezes ele agride e depois pede perdão, promete mudar, diz que ama. Isso cria um ciclo que prende a vítima na relação. Quando perceber esse padrão, é importante buscar ajuda”, orientou.
Renata lembrou ainda que casos de violência podem ser denunciados pelo telefone 180 ou nas delegacias especializadas de atendimento à mulher.
Para as especialistas, o apoio de familiares, amigos e da sociedade é fundamental para prevenir situações mais graves.
“Às vezes aquela situação não está acontecendo com você, mas pode estar acontecendo com alguém próximo. Por isso é importante prestar atenção e oferecer apoio”, destacou Renata.
Dra. Márcia deixou uma mensagem de valorização da mulher e de incentivo à felicidade.
“As mulheres precisam ser felizes, sorrir. Essa é a maior beleza da mulher. Nós somos seres humanos e temos direito a tudo aquilo que qualquer pessoa tem”, concluiu.







