Especialista explica por que feridas em idosos demoram mais a cicatrizar
Problemas circulatórios, diabetes e redução do colágeno estão entre os fatores que dificultam a recuperação de ferimentos na terceira idade

O envelhecimento traz mudanças naturais ao organismo que impactam diretamente no processo de cicatrização. Esse foi o tema do quadro Saúde e Bem-Estar, que recebeu a especialista em tratamento de feridas, Àquilla Chahinne, da Doutor Curativos, para falar sobre os principais cuidados com feridas em idosos.
Àquilla destacou que a maior parte dos atendimentos realizados pela clínica é voltada ao público da terceira idade.
“A grande maioria dos atendimentos que nós prestamos na Doutor Curativos é no idoso. Seja no pós-operatório ou em ferimentos do dia a dia que demoram mais para cicatrizar. O idoso sempre é o nosso maior público”, afirmou.
Ela explica que essa realidade tem relação direta com as condições clínicas mais comuns após os 60 anos, como problemas circulatórios e doenças crônicas.
“O idoso acaba estando muito mais suscetível a problemas circulatórios e doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Hoje, a cada dez idosos, três são portadores de diabetes. Isso influencia muito na resposta imunológica e atrasa a cicatrização”, destacou.
Segundo a especialista, um dos principais motivos para a cicatrização mais demorada é a lentidão da resposta inflamatória no organismo do idoso.
“A resposta inflamatória da pessoa com mais idade acontece de forma mais lenta. Se em um jovem o processo inflamatório dura cerca de oito dias, no idoso pode levar mais dias ou até semanas para avançar para a fase de cicatrização”, explicou.
Além disso, a redução da vascularização e a diminuição de colágeno e elastina na pele também dificultam a recuperação.
“A pele do idoso tem menos colágeno e menos elastina. Por isso, precisamos pensar sempre em produtos que promovam hidratação e auxiliem na reposição de colágeno”, orientou.
Àquilla também fez um alerta sobre práticas inadequadas adotadas por familiares.
“Quem cuida de idoso e vê um ferimento quer resolver logo. No desespero, acaba recorrendo às famosas receitas caseiras. Isso pode agravar a situação”, alertou.
Outro erro frequente é a dificuldade de identificar sinais de gravidade, principalmente em pacientes acamados.
“Às vezes a família diz que a ferida está ótima porque criou uma ‘casquinha preta’. Mas aquela pele escura pode ser uma necrose, o que é muito perigoso”, ressaltou.
Ela enfatiza que é fundamental observar sinais como coloração amarelada ou escura, mau cheiro, vermelhidão ao redor da ferida e dor.
“Se há odor, vermelhidão em volta ou dor, é sinal de alerta. Pode estar acontecendo uma infecção naquele ferimento”, afirmou.
De acordo com a especialista, é esperado que o idoso demore mais para cicatrizar, mas o tempo não deve ser o único critério de avaliação.
“A gente pensa em um prazo médio de quatro semanas, podendo chegar até seis semanas. Mas não é só o tempo que importa, e sim as características da ferida”, explicou.
A orientação é clara: qualquer ferimento em idoso deve ser acompanhado com atenção e tratado de forma adequada desde o início.
“O ideal é tratar de forma segura, com orientação profissional, ao invés de buscar receitas e acabar agravando algo que poderia ser simples”, concluiu.
A Doutor Curativos está localizada no Edifício Ícone, quarto andar, sala 403, oferecendo acompanhamento especializado no tratamento de feridas crônicas, pré-diabéticas e pós-operatórias.






