Uso de medicamentos para emagrecer exige atenção redobrada à alimentação, alerta nutróloga
Jejum prolongado, falta de proteína e excesso de gorduras e álcool podem comprometer a saúde e os resultados do tratamento

Com a chegada das festas de fim de ano, cresce a preocupação com a alimentação de pessoas que fazem uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente as chamadas “canetinhas emagrecedoras”. Em entrevista ao programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM, a nutróloga Aline Jardim fez um alerta sobre erros comuns cometidos durante o tratamento e reforçou a importância do acompanhamento médico e nutricional para evitar riscos à saúde e perda inadequada de massa muscular.
Segundo a especialista, o uso desses medicamentos tem se popularizado de forma preocupante, muitas vezes sem prescrição ou orientação profissional.

“São medicações de risco e que causam impactos importantes dependendo do que a pessoa come. Quando usadas sem acompanhamento, os efeitos adversos podem ser ainda maiores”, destacou. A médica explicou que, embora esses remédios promovam saciedade intensa e diminuam o apetite, isso não significa que o paciente possa deixar de se alimentar.
Um dos principais erros observados, inclusive entre pacientes acompanhados, é passar longos períodos em jejum. “O grande erro é não comer. A pessoa perde peso, mas perde músculo, e isso não é o que queremos. O nosso objetivo é perder gordura e preservar a massa muscular”, explicou Aline Jardim. Ela ressaltou que o corpo tende a preservar a gordura por ser um mecanismo de sobrevivência, utilizando o músculo como primeira fonte de perda quando não há ingestão adequada de nutrientes.
A nutróloga reforçou que a ingestão de proteínas é essencial durante o tratamento, mesmo quando há sensação constante de plenitude gástrica. “Muitos pacientes dizem que não conseguem nem olhar para carne ou ovo. Nesses casos, utilizamos estratégias como suplementos proteicos, que têm digestão mais rápida e ajudam a suprir as necessidades do organismo”, afirmou. Entre as opções citadas estão whey protein, proteínas veganas e proteínas derivadas da carne, sempre indicadas conforme o perfil do paciente.
Outro ponto de atenção são os hábitos alimentares ao longo do dia. De acordo com a médica, muitas pessoas já têm o costume de não se alimentar pela manhã e, com o uso do medicamento, acabam pulando também o almoço. “No fim do dia, a fome aparece e a escolha alimentar costuma ser inadequada. A medicação tira a fome, mas não ensina a escolher bem o que comer”, alertou. Esse padrão, segundo ela, pode gerar picos de glicose e insulina, dificultando a continuidade do emagrecimento e prejudicando a saúde metabólica.
Durante as confraternizações de Natal e Réveillon, os cuidados devem ser redobrados. Aline Jardim alertou que alimentos ricos em gordura e açúcar podem intensificar os efeitos colaterais dos medicamentos. “Frituras, excesso de panetone, farofa muito gordurosa e doces podem fazer a pessoa passar muito mal”, disse. A bebida alcoólica também merece atenção especial. “A medicação potencializa o efeito do álcool, fazendo com que ele permaneça mais tempo no organismo. A pessoa pode se embriagar com quantidades menores do que estava acostumada”, explicou.
A nutróloga destacou ainda que o tratamento da obesidade não deve ser encarado como algo temporário ou estético. “Não estamos falando apenas de perder peso, mas de tratar uma doença crônica”, afirmou.
Segundo ela, após atingir o peso desejado, o paciente não deve interromper o uso da medicação de forma abrupta, sendo necessário um processo de desmame e manutenção. “Para que o tecido adiposo realmente deixe de existir, é preciso manter o peso por cerca de 18 meses. Caso contrário, qualquer deslize faz com que o ganho de peso volte”, explicou.






