Urologista alerta para conscientização sobre o câncer de pênis e a importância da prevenção
No Brasil, a doença acomete 1,3 a cada 100 mil habitantes e representa 0,4% de todos os cânceres diagnosticados.
O câncer de pênis é uma doença que tem um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Durante o período de 2007 a 2022, foram realizadas 7.790 amputações do órgão genital pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma média de 486 cirurgias mutiladoras por ano. No Brasil, a doença acomete 1,3 a cada 100 mil habitantes e representa 0,4% de todos os cânceres diagnosticados.
Para abordar o tema e reforçar a importância da prevenção, o mês de fevereiro é dedicado à conscientização sobre o câncer de pênis. Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia (Rádio Princesa FM), o médico urologista da Iune Clínicas, Dr. João Batista de Cerqueira, destacou que a doença tem como principal fator de risco a falta de higiene íntima.
“O principal fator de risco é a falta de higiene, especialmente em homens que possuem fimose, uma condição em que o prepúcio não se retrai completamente, dificultando a limpeza adequada da glande. Isso pode levar a processos inflamatórios crônicos, como balanite e postite, que estão associados ao desenvolvimento do câncer de pênis”, explicou o especialista.
Além disso, o vírus HPV é apontado como um dos principais causadores da doença. “O HPV tem subtipos oncogênicos que podem provocar câncer no colo do útero das mulheres e também no pênis dos homens. Por isso, o uso de preservativo é fundamental nas relações sexuais, principalmente com parceiros ocasionais”, alertou Dr. João.
Os primeiros sintomas do câncer de pênis incluem feridas persistentes, verrugas ou secreção com mau cheiro.
“A doença tem cura, principalmente se diagnosticada precocemente. Quando identificamos em estágios iniciais, é possível realizar cirurgias menos agressivas. No entanto, em casos avançados, pode ser necessária a amputação parcial ou total do pênis, podendo incluir também a retirada da bolsa escrotal”, explicou o urologista.
Para o especialista, educar a população é essencial para reduzir a incidência da doença.
“Muitos homens ainda não consideram a higiene íntima como algo essencial. Quero fazer um apelo aos pais e mães: ensinem seus filhos a lavar corretamente o pênis, puxando o prepúcio para expor a glande e limpá-la com água e sabão. Esse hábito simples pode diminuir significativamente a incidência do câncer de pênis”, ressaltou.
As campanhas de conscientização desempenham um papel fundamental nesse processo. “A informação é a melhor forma de prevenção. Programas de rádio, televisão e a mídia como um todo têm um papel crucial em levar esse conhecimento à população. Quanto mais esclarecimento tivermos, menos casos graves veremos”, destacou Dr. João Batista.