Popularização do Mounjaro preocupa profissionais de educação física e muda perfil de alunos nas academias
Especialista alerta para uso indiscriminado do medicamento e destaca perda muscular e impacto no desempenho físico

O uso crescente de medicamentos conhecidos como “canetinhas” para emagrecimento, como o Mounjaro, tem provocado mudanças significativas na rotina de profissionais de educação física e no comportamento de alunos nas academias. O alerta é do personal trainer Orlando Bastos, que chama atenção para o uso indiscriminado do fármaco e seus possíveis impactos à saúde.
Segundo Orlando, o medicamento, um análogo do hormônio GLP-1, que atua na saciedade e no controle da glicose, tem papel importante no tratamento de doenças como diabetes e obesidade. No entanto, o problema está na forma como vem sendo utilizado pela população.
“Se você me perguntar se eu sou contra, eu vou te dizer que não. Mas o que tem acontecido é o uso exacerbado e sem controle. Todo mundo usa, sem acompanhamento médico, e isso preocupa”, afirmou.
De acordo com o profissional, a popularização do Mounjaro alterou o perfil de quem procura academias. Hoje, muitos alunos buscam resultados rápidos, sem priorizar acompanhamento médico ou mudanças no estilo de vida.
“O perfil hoje é do aluno que quer o emagrecimento de uma forma fácil. Ele não procura uma avaliação médica, não entende os efeitos e usa porque alguém tomou e emagreceu”, destacou.
Orlando ressalta que, em muitos casos, o uso do medicamento ocorre para perdas de peso consideradas pequenas, o que poderia ser alcançado com acompanhamento adequado.
“Perder cinco ou dez quilos, muitas vezes, é algo que você consegue com dieta bem elaborada, acompanhamento nutricional e exercício físico. Não há necessidade da canetinha nesses casos”, pontuou.
Outro ponto de atenção levantado pelo personal trainer é a perda de massa muscular e possíveis impactos no organismo com o uso prolongado.
“De cada três quilos perdidos, cerca de um quilo pode ser de músculo. Já existem estudos indicando até perda de densidade mineral óssea com o uso prolongado”, alertou.
Ele reforça que o medicamento, originalmente desenvolvido para tratar problemas de saúde, tem sido amplamente utilizado com fins estéticos, muitas vezes sem os cuidados necessários.
“A canetinha veio para um problema de saúde, mas está sendo muito usada para estética. Não é errado, desde que tenha acompanhamento. O problema é que isso não está acontecendo”, disse.
Na rotina das academias, o uso do medicamento exige mudanças na prescrição de treinos. Como muitos usuários apresentam baixa ingestão calórica, há impacto direto na energia disponível para a prática de exercícios.
“O indivíduo está em déficit calórico, muitas vezes passa longos períodos sem se alimentar. Isso afeta a bioenergética. Então, intensidade e volume do treino precisam ser muito controlados”, explicou.
Segundo Orlando, queixas de fadiga são frequentes entre esses alunos.
“A fadiga central se instala muito rápido. O aluno sente mais cansaço, e o profissional precisa monitorar constantemente”, acrescentou.
Apesar dos riscos, o personal trainer reconhece que o medicamento pode trazer benefícios quando utilizado corretamente. A principal recomendação é o acompanhamento profissional.
“O uso pode ser benéfico, sim, mas com acompanhamento médico, nutricional e orientação adequada. Não é porque deu certo para o vizinho que vai dar certo para você”, alertou.
Ele também destaca a importância de estratégias para preservar a massa muscular durante o processo de emagrecimento.
“Ajustar a ingestão de proteínas e, em alguns casos, usar creatina pode ajudar a minimizar a perda de massa muscular”, orientou.
Orlando reforça que o momento exige cautela e informação.
“A popularização pode gerar grandes problemas de saúde no futuro. Todo fármaco tem seus efeitos colaterais. O importante é usar com responsabilidade”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda






