Saúde

Ginecologista esclarece polêmicas sobre peptídeos e aponta caminhos reais para a longevidade

Apesar do hype nas redes, substâncias citadas como “revolução da longevidade” ainda não têm liberação para uso no Brasil.

05/12/2025 21h51
Ginecologista esclarece polêmicas sobre peptídeos e aponta caminhos reais para a longevidade

A ginecologista Dra. Márcia Suely participou do quadro Mulheres em Pauta para discutir um tema que tem movimentado a internet e levantado debates entre especialistas: “Peptídeos: moda perigosa ou a maior revolução da longevidade desde os hormônios?”.

A médica destacou que a busca por qualidade de vida e envelhecimento saudável aumentou significativamente.

“As pessoas estão muito preocupadas não só em viver mais, mas viver bem, com autonomia e saúde. Esse é o grande foco da ciência hoje”, afirmou.

A especialista explicou que os peptídeos são pequenas cadeias de aminoácidos produzidas naturalmente pelo corpo, responsáveis por modular diversas funções celulares. Com o envelhecimento, porém, a produção diminui.

“Os peptídeos existem no nosso corpo naturalmente. Com o passar da idade, perdemos a capacidade de produzir alguns deles, e certas funções começam a se deteriorar”, explicou.

O interesse cresceu após a popularização de substâncias como o Zepbound (tirzepatida) e de novos peptídeos que circulam nas redes sociais, apresentados como “promessas da longevidade”. A médica alerta, porém, que tais substâncias não estão liberadas para uso estético ou de longevidade.

“Esses dois peptídeos realmente têm potencial, foram mencionados em congressos como moléculas promissoras. Mas não estão liberados nem nos Estados Unidos nem no Brasil para aumentar massa muscular ou emagrecer”, destacou.

A ginecologista reforçou que o bombardeio de vídeos e conteúdos na internet não pode substituir a prática médica baseada em evidências.

“O que se fala hoje sobre peptídeos nas redes é, em grande parte, promessa. Não significa que não haja potencial — existe, sim. Mas ainda é ciência em desenvolvimento, não é algo disponível para o público geral”, disse.

Ela lembra que a Tesamorelin, por exemplo, só é liberada pela FDA para tratar casos específicos: “Ele só pode ser usado por pacientes HIV positivos com lipodistrofia. Não é aprovado para estética ou emagrecimento”, explicou.

Apesar do entusiasmo com novas moléculas, Dra. Márcia apontou que o que realmente prolonga e melhora a vida já está ao alcance de todos.

“A verdadeira longevidade está no estilo de vida. Atividade física é a grande chave, junto com alimentação adequada, sono de qualidade e gerenciamento do estresse”, afirmou.

A ginecologista citou palestras recentes que assistiu em congressos internacionais, destacando o peso da ciência do exercício físico na saúde.

“Fiquei encantada com as pesquisas apresentadas. A ciência mostra, de forma profunda, o quanto o exercício é transformador”, relatou.

Para muitas mulheres, ela reforça que a terapia de reposição hormonal também pode ser uma aliada:
“A reposição hormonal é, sim, uma das chaves da longevidade quando bem indicada e acompanhada”.

Com a proximidade do fim de ano, Dra. Márcia deixou um conselho sobre bem-estar emocional.

“Muita gente se preocupa demais com festas e viagens. Às vezes, são coisas simples que nos fazem bem: estar com a família, descansar, reduzir o estresse”, disse.

Ao final da entrevista, a médica convidou o público a acompanhá-la nas redes sociais e visitar sua clínica.
“Quem quiser saber mais sobre longevidade, hormônios, autocuidado e saúde da mulher, me siga no Instagram @dra.marciasuely”, disse.

Ela atende na Clínica Vitalis, na Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana.

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