Família busca atendimento para paciente renal em meio à falta de vagas em Feira de Santana
Homem de 56 anos, em hemodiálise, apresenta sangramento intenso e não consegue internação; irmã relata peregrinação entre UPAs e hospital

A busca por atendimento médico adequado tem se transformado em um drama para a família de Adilson Moreira dos Santos, de 56 anos, paciente renal crônico que realiza hemodiálise em Feira de Santana. Segundo a irmã dele, Elisangela Damasceno, o homem enfrenta um quadro grave de sangramento e, mesmo assim, não consegue vaga para internação na rede pública.
De acordo com Elisangela, o problema começou na última quinta-feira, quando Adilson sentiu fortes dores abdominais e foi levado à UPA do Clériston Andrade. No local, ele foi medicado, mas não permaneceu internado por falta de leito.
“Aplicaram uma medicação nele e falaram que não poderia ficar porque precisava de um leito e não tinha. Ele não tinha condições nem de ficar em pé ou sentado”, relatou.
Nos dias seguintes, o quadro se agravou. A família afirma que o paciente passou a urinar sangue e procurou atendimento na clínica onde faz hemodiálise, mas também não conseguiu encaminhamento para um hospital.
“Disseram que não podiam regular ele para um hospital porque não têm convênio com o Estado”, contou Elisangela.
Na segunda-feira, exames apontaram anemia e perda significativa de sangue. Ainda assim, a peregrinação continuou entre unidades de saúde.
“A gente foi para a UPA do Tomba, deram medicação e mandaram ele para casa de novo. Não tinha condição de ficar com ele”, afirmou.
Nesta semana, o quadro voltou a piorar, com sangramento intenso. A família retornou à clínica de hemodiálise, onde recebeu um relatório médico orientando a ida ao Hospital Clériston Andrade. No hospital, porém, foram novamente orientados a buscar regulação via UPA, onde, segundo a família, não há vagas disponíveis.
“Disseram que tinha que ir para a UPA para regular, mas não tem vaga na do Clériston, Mangabeira, Tomba, nem Feira X e ele perdendo muito sangue”, desabafou.
Diante da situação, a família teme pelo pior. Elisângela revelou que já perdeu dois irmãos com problemas renais, um deles em circunstâncias semelhantes.
“Se continuar com ele em casa do jeito que está, ele pode morrer. Há um ano aconteceu a mesma coisa com outro irmão e ele veio a óbito por falta de leito”, lamentou.
A sensação, segundo ela, é de abandono.
“Pelo que falam pra gente, é isso: ir pra casa e pronto. Não tem o que fazer”, disse.
A equipe do De Olho na Cidade tenta contato com a direção do Hospital Clériston Andrade e com a Secretaria Municipal de Saúde para buscar uma solução para o caso.
Enquanto isso, a família segue em busca de atendimento urgente.
“Ele está perdendo muito sangue. A gente só quer que ele tenha o atendimento que precisa”, concluiu Elisangela.







