Diagnóstico precoce pode mudar desenvolvimento de crianças autistas, diz neuropsicóloga
Especialista alerta para sinais ainda na primeira infância e defende maior integração entre família, escola e políticas públicas

A campanha Abril Azul, voltada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem como principal objetivo ampliar o conhecimento da sociedade, combater preconceitos e promover inclusão. Em entrevista ao De Olho na Cidade, a psicóloga e neuropsicóloga Olívia Magalhães destacou a importância da informação para quebrar estigmas e garantir melhor qualidade de vida às pessoas autistas.
Segundo a especialista, o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento presente desde o nascimento.
“Ele não é adquirido com o passar do tempo. A criança já nasce com esse transtorno, que afeta a comunicação, a interação social e outros aspectos do desenvolvimento”, explicou.

Olívia reforçou que o Abril Azul vai além da conscientização básica e cumpre um papel essencial na desconstrução de ideias equivocadas.
“Quando a gente conhece sobre algo, passa a entender, e esse entendimento traz a libertação de preconceitos. Ainda existe a ideia de que o autismo tem cura ou de que está sempre ligado a altas habilidades ou deficiência intelectual, mas não é ‘oito ou oitenta’. É um espectro”, pontuou.
A identificação precoce é um dos pontos centrais para o desenvolvimento da criança. De acordo com a neuropsicóloga, alguns sinais podem ser percebidos ainda nos primeiros meses de vida.
“Dificuldades na comunicação, na interação social, pouca gesticulação, ausência de apontar para objetos e até limitações no contato visual são sinais importantes. Comportamentos repetitivos e questões sensoriais também devem ser observados”, afirmou.
Ela destaca que esses indícios podem aparecer a partir dos seis meses de idade, o que exige atenção dos pais e cuidadores.
“O contato visual, por exemplo, é um ponto que chama muita atenção, porque está diretamente ligado à comunicação”, completou.
A especialista enfatizou que o diagnóstico precoce, aliado à intervenção adequada, pode transformar significativamente o desenvolvimento da criança.
“Hoje temos abordagens reconhecidas, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e o modelo Denver, que trazem resultados importantes, principalmente para crianças com níveis maiores de suporte”, explicou.
Segundo ela, iniciar o acompanhamento ainda na primeira infância pode até reduzir o nível de suporte necessário ao longo da vida.
“Uma criança que está no nível três pode evoluir para o nível um com intervenção precoce. Isso promove mais autonomia e qualidade de vida”, destacou.
Outro ponto abordado foi a importância da inclusão no ambiente escolar, considerado fundamental para o desenvolvimento social.
“A escola é um espaço onde a criança passa boa parte do tempo e vivencia interações, regras e desafios. É um ambiente essencial para o desenvolvimento, mas que exige suporte adequado”, afirmou.
Olívia reconhece que muitas instituições enfrentam dificuldades para atender a demanda. “Não é só o autismo. Há crianças com TDAH, dislexia, deficiência intelectual. A escola muitas vezes não consegue dar conta de tudo sozinha”, disse.
Ela defende uma atuação conjunta entre família, escola e profissionais de saúde. “É preciso diálogo entre clínica, escola e família. E, principalmente, mais políticas públicas que garantam acesso ao tratamento, especialmente para quem não pode arcar com os custos”, alertou.
A especialista reforçou que campanhas como o Abril Azul são essenciais para promover mudanças sociais.
“A informação é o primeiro passo para a inclusão. Quanto mais a sociedade entende o autismo, mais preparada ela estará para acolher e respeitar as diferenças”, concluiu.






