Saúde

Seu filho está viciado em telas? Especialistas alertam para sinais ignorados pelas famílias

Psicólogas destacam impactos emocionais, riscos de diagnósticos equivocados e dão orientações práticas para reduzir o uso excessivo

21/04/2026 06h38
Seu filho está viciado em telas? Especialistas alertam para sinais ignorados pelas famílias
Foto: Freepik

O uso excessivo de telas por crianças e adolescentes tem acendido um alerta entre especialistas em saúde mental. Durante o quadro Saúde Mental em Pauta, as psicólogas Olívia Magalhães e Daiana Bezerra discutiram os principais sinais de dependência digital e os impactos no desenvolvimento infantil, em um bate-papo voltado para orientar famílias.

A psicóloga infanto-juvenil Daiana Bezerra destacou que o problema não está no uso em si, mas na forma como ele acontece.

“Quando a gente fala sobre uso de telas, não é sobre usar ou não, mas sim como se usa. O uso saudável é aquele que não substitui experiências importantes para o desenvolvimento da criança”, explicou.

Segundo ela, o uso passa a ser prejudicial quando começa a ocupar o lugar de atividades essenciais, como brincar, socializar e interagir.

“A criança precisa estar sempre com a tela para se acalmar, tem dificuldade de esperar, de lidar com frustrações e até deixa de brincar. Isso já caracteriza um uso excessivo”, alertou.

Na prática clínica, os efeitos são cada vez mais frequentes. Ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração estão entre os principais sinais observados.

“A gente percebe uma criança muito mais ansiosa, irritada, impaciente, com dificuldade de se autorregular emocionalmente. São alterações significativas no comportamento”, afirmou Daiana.

Olívia Magalhães reforçou que o cérebro infantil não foi desenvolvido para o excesso de estímulos digitais.

“O cérebro da criança foi codificado para aprender brincando, interagindo. Quando substituímos isso pelas telas, há um comprometimento no desenvolvimento e até alterações neuroquímicas”, pontuou.

Outro ponto destacado foi a relação direta entre o uso excessivo de telas e sintomas como ansiedade e dificuldade de atenção.

“Existe uma hiperestimulação audiovisual que aumenta a liberação de dopamina. Isso pode gerar ansiedade, desregulação emocional e déficit de atenção”, explicou Daiana.

As especialistas também chamaram atenção para diagnósticos equivocados.

“Muitas crianças chegam com sintomas parecidos com TDAH, mas, na verdade, são consequências do uso excessivo de telas. Não é um transtorno primário”, ressaltou Olívia.

Além disso, em crianças menores, podem surgir atrasos no desenvolvimento motor e na linguagem.

“É uma criança que não brinca, não interage e não estimula suas habilidades. Isso pode até levar a diagnósticos errados, como autismo”, completou.

O hábito de usar telas para acalmar ou distrair crianças também foi criticado pelas profissionais.

“Se o recurso para acalmar é sempre a tela, cria-se uma relação de dependência. A criança não aprende outras formas de se autorregular”, afirmou Daiana.

Segundo ela, o problema se agrava quando o celular passa a ser a única alternativa no dia a dia.

“Quando só existe isso para ocupar o tempo ou acalmar, a gente já está diante de uma problemática importante.”

Entre as recomendações, as especialistas destacaram atitudes simples, mas eficazes, para reduzir o uso excessivo sem gerar conflitos:

“A primeira orientação é começar sendo exemplo. A criança aprende observando. Não adianta querer tirar o celular do filho se os pais também não saem da tela”, enfatizou Daiana.

Ela também reforçou a importância da união familiar na mudança de hábitos.

“Todos os cuidadores precisam estar comprometidos. Senão, a criança recebe mensagens contraditórias.”

Olívia deixou uma reflexão sobre o impacto das telas na vida cotidiana.

“Nós somos seres relacionais. As telas não se relacionam com a gente. Toda dependência gera danos emocionais. Não permita que nada domine você”, concluiu.

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