Defesa nega irregularidades em venda de terreno envolvendo Binho Galinha e Tenente Lobão
Audiência de instrução ouviu as partes sobre a venda de imóvel investigada após operação policial em 2024

O deputado estadual Binho Galinha, preso desde outubro do ano passado, participou nesta sexta-feira (24) de uma audiência de instrução no Fórum Filinto Bastos, em Feira de Santana. O procedimento faz parte de uma das ações penais que investigam a venda de um terreno ao tenente-coronel José Hildon Brandão Lobão.
A audiência, que integra a fase de instrução do processo, também teve o militar como réu. De acordo com as investigações, a negociação do imóvel passou a ser apurada após o afastamento do oficial, em abril de 2024, no âmbito da Operação Hybris.
Segundo a defesa de Binho Galinha, a transação foi realizada de forma regular. O advogado Gamil Föppel criticou a condução da denúncia e classificou a interpretação do caso como equivocada.

“O que consta é uma leitura enviesada e portanto errada, de uma tratativa comercial absolutamente regular, que foi a compra e venda de um terreno. Há contrato de compra e venda e escritura pública lavrada em cartório”, afirmou.
O advogado também destacou que a formalização da negociação afasta qualquer suspeita de irregularidade.
“É contrariar o mínimo de inteligência dizer que alguém quer ocultar um bem registrando em cartório. Ninguém que quer esconder algo faz esse tipo de registro”, completou.
Ainda conforme a defesa, esta foi a primeira oportunidade de contestar formalmente os elementos apresentados durante a investigação.
“Foi a primeira oportunidade de colher prova em contraditório. Até então, tudo que foi produzido pela polícia foi encaminhado ao Ministério Público sem que pudéssemos questionar”, disse.
Ele informou que, após o encerramento da fase de instrução, a defesa terá prazo de cinco dias para solicitar diligências complementares, antes da apresentação das alegações finais.
Binho Galinha participou da audiência por videoconferência. Segundo o advogado, o deputado não pôde comparecer presencialmente por questões de saúde.
“Ele está com febre e não tinha como ser transportado. Do ponto de vista legal, não há como realizar a audiência sem a presença do réu, por isso participou por vídeo”, explicou.
A defesa do tenente-coronel também sustenta que a negociação foi legal. O advogado Kleber Freitas afirmou que a compra do terreno seguiu todos os trâmites formais.

“A compra se deu de forma legal, regular, registrada em cartório. Foi acertado o preço, pago e transferido o terreno”, declarou.
Ele também rebateu suspeitas de vínculo entre o militar e o deputado.
“Nunca foram amigos, nem são. Houve apenas uma única transação comercial”, disse.
Sobre a investigação por suposta lavagem de dinheiro, o advogado questionou a tese.
“Como se pode falar em lavagem de dinheiro em uma compra registrada, inclusive declarada no imposto de renda?”, argumentou.
De acordo com a defesa de Binho Galinha, esta é uma das três ações penais em andamento contra o deputado. A audiência desta sexta-feira tratou exclusivamente da negociação do terreno.
O caso segue agora para as próximas etapas processuais, com possibilidade de apresentação de novas diligências e, posteriormente, das alegações finais das partes.
*Com informações do repórter JP Miranda
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