Alta demanda leva Fundação Hospitalar a planejar ampliação de cirurgias para gigantomastia
Mais de 450 mulheres já foram atendidas, e programa entra em nova fase com previsão de aumento no número de procedimentos

A presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, destacou os avanços do programa de cirurgias para tratamento de gigantomastia, além de anunciar ampliações estruturais e novos mutirões de saúde previstos para os próximos meses.
Segundo ela, o programa já alcançou números expressivos e segue em expansão.
“A gente está agora no quinto mutirão, com mais de 450 mulheres atendidas”, afirmou.
Gilberte explicou que o quinto mutirão precisou ser dividido em duas etapas devido à alta procura. Inicialmente, eram 300 vagas, mas mais de 500 mulheres compareceram à triagem.
“Compareceram 534 mulheres. Como não conseguiríamos atender todas, dividimos em duas datas”, explicou.
Na primeira etapa, 134 pacientes foram aprovadas. Já na segunda, realizada em março, outras 63 foram selecionadas. A presidente fez questão de esclarecer um ponto importante:
“Essa segunda lista não elimina a primeira. Ela soma com a primeira.”
Agora, as pacientes entram na segunda fase do processo, que consiste em visitas domiciliares realizadas por assistentes sociais. Em seguida, passam para a terceira etapa, com exames médicos.
“Os exames são essenciais para garantir segurança. Já tivemos casos de gravidez e até diagnóstico de câncer de mama durante essa fase”, destacou.
A presidente reforçou que o programa não tem caráter estético, mas sim de saúde pública, voltado para casos graves de gigantomastia.
“Não é cirurgia plástica. É para mama gigante, um problema que impacta diretamente a saúde das mulheres”, pontuou.
De acordo com ela, o critério técnico considera casos em que as mamas chegam a cerca de cinco quilos, classificados como grau cinco pelo cirurgião responsável.
Além das dores físicas, como problemas na coluna e limitações no trabalho, Gilberte destacou o impacto emocional da condição.
“Temos pacientes que passaram anos sem sair de casa por depressão. Outras nunca usaram biquíni por vergonha”, relatou.
Ela também ressaltou as mudanças positivas após a cirurgia: “Depois do procedimento, muitas voltam a praticar atividades físicas, procuram nutricionista e mudam completamente o estilo de vida.”
A alta procura pelo programa tem levado a Fundação a estudar a ampliação das cirurgias.
“A gente tem interesse em aumentar o número de cirurgias por mês e até incluir novos profissionais para operar também aos sábados”, afirmou.
A presidente classificou a gigantomastia como um problema de saúde pública, diante da quantidade de mulheres afetadas.
“Já encontrei paciente operada que voltou com a filha para entrar no programa. Isso mostra o tamanho da demanda”, disse.
Outra novidade é a inclusão de pacientes em acompanhamento antes da cirurgia, quando são identificadas outras condições de saúde.
“Se a paciente tem hipertensão, diabetes ou obesidade, ela passa por acompanhamento com cardiologista, psicólogo e nutricionista antes da cirurgia”, explicou.







