Novas abordagens no tratamento da SOP ampliam qualidade de vida de mulheres, destaca ginecologista
Os avanços científicos vêm transformando a abordagem da doença, trazendo novas perspectivas principalmente no controle dos sintomas e na qualidade de vida das pacientes.

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), condição que atinge um número significativo de mulheres, tem passado por uma mudança importante na forma de diagnóstico e tratamento. Em entrevista ao quadro Mulheres em Pauta, a ginecologista Dra. Márcia Suely explicou que os avanços científicos vêm transformando a abordagem da doença, trazendo novas perspectivas principalmente no controle dos sintomas e na qualidade de vida das pacientes.
A médica destacou a relevância do tema em sua rotina clínica.
“É um assunto muito prevalente no meu consultório. Cerca de 10% das minhas pacientes têm síndrome dos ovários policísticos”, afirmou.
Segundo a especialista, apesar do nome, a SOP não deve ser entendida apenas como um problema ginecológico.
“Ela não é uma doença ovariana. É uma doença metabólica, cuja principal característica é a resistência à insulina”, explicou.
A médica detalhou que esse desequilíbrio hormonal interfere diretamente no funcionamento do organismo.
“A insulina alta aumenta os hormônios masculinos, bloqueia a ovulação e faz com que a mulher não menstrue regularmente”, disse.
Além disso, a dificuldade do corpo em utilizar a glicose contribui para sintomas como fadiga e ganho de peso.
“Não é falta de vontade ou preguiça. Muitas vezes é a própria síndrome que dificulta o emagrecimento”, ressaltou.
A SOP pode se manifestar de diferentes formas. Entre os principais sinais de alerta estão irregularidade menstrual, acne, excesso de pelos, queda de cabelo e dificuldade para perder peso.
“Se você tem esses sintomas e acha que é normal, pode estar com síndrome dos ovários policísticos”, alertou a ginecologista.
Um dos principais avanços, segundo Dra. Márcia, está na mudança de foco do tratamento.
“Antes, o objetivo era apenas regular a menstruação com anticoncepcional. Hoje sabemos que isso não trata a causa, apenas mascara o problema. Se você usa pílula anticoncepcional para tratar SOP, isso está errado. O foco hoje é o metabolismo”.
De acordo com a especialista, o tratamento atual busca reduzir a resistência à insulina para restabelecer o equilíbrio hormonal.
“Quando a gente trata a causa, tudo volta a funcionar: a paciente emagrece, melhora a acne, volta a menstruar e pode até engravidar”, explicou.
A abordagem moderna envolve uma combinação de fatores, incluindo acompanhamento multidisciplinar.
“Não é uma pílula milagrosa. O tratamento exige estratégia: alimentação, atividade física, medicamentos e suplementos”, destacou.
Entre os medicamentos, a metformina ainda é utilizada, mas novas opções têm ganhado espaço.
“Hoje temos medicamentos mais eficazes para resistência à insulina, como os análogos de GLP-1, que ajudam também na perda de peso e no controle metabólico”, explicou.
A médica também ressaltou a importância de hábitos saudáveis.
“A atividade física e a alimentação balanceada reduzem a inflamação e melhoram muito o quadro”, disse.
Além dos benefícios clínicos, o tratamento da SOP tem reflexos importantes na saúde emocional das pacientes.
“Um dos maiores impactos é na autoestima. Essas mulheres voltam a se sentir bem, recuperam a disposição e até a libido”, afirmou.
A fertilidade também pode ser diretamente afetada pela síndrome, mas há boas perspectivas.
“Quando tratamos a resistência à insulina, o ovário volta a funcionar e muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente”, destacou.
Apesar dos avanços, a ginecologista reforça que a SOP não tem cura, mas pode ser controlada.
“É uma doença genética. Não tem cura, mas tem tratamento e acompanhamento”, explicou.
Ela também alertou que cada caso exige uma abordagem específica.
“Não existe um tratamento único. Cada paciente precisa de um plano individualizado, de acordo com suas características”, disse.
A médica reforçou a importância do acompanhamento contínuo.
“O médico não pode deixar essa paciente solta. É preciso estar perto, acompanhando e ajustando o tratamento”, concluiu.







