Meu Bairro em Pauta: Artistas cobram mais apoio e apontam caminhos para fortalecer cultura da Rua Nova
Músicos e produtores destacam falta de investimentos, defendem projetos permanentes e valorização do bairro como celeiro artístico

A série “Meu Bairro em Pauta”, exibida no programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, traz nesta edição um olhar direto sobre os desafios enfrentados pela cultura da Rua Nova. Artistas e agentes culturais do bairro destacam a necessidade de mais apoio do poder público e apontam caminhos para fortalecer a produção artística local.
Cantor e compositor, André Lopes defende a criação de políticas públicas voltadas à formação musical, especialmente para crianças e jovens.
“Meu desejo é que a Rua Nova tivesse escola de música com apoio do poder público. Aqui sempre teve projetos, mas muitos acabam porque não têm incentivo”, afirmou.
Ele lembra iniciativas que marcaram a comunidade, como projetos de percussão e formação cultural, mas que não tiveram continuidade por falta de estrutura.
“Já tivemos projetos importantes que tiravam meninos da rua e ensinavam música. Hoje ainda existem alguns, mas é tudo na base da resistência”, destacou.
Para André, o potencial artístico do bairro é inquestionável.
“A Rua Nova é um celeiro de artistas. Aqui ninguém nasce, estreia”, disse.
O músico Zé das Congas chama atenção para outro desafio: a imagem que o bairro ainda carrega, marcada por estigmas do passado.

“Existe uma fama antiga de bairro violento, mas isso mudou muito. Hoje a Rua Nova é tranquila, cheia de cultura e projetos que educaram muita gente”, pontuou.
Segundo ele, iniciativas culturais tiveram papel fundamental na transformação social da comunidade ao longo dos anos.
“Projetos ajudaram a formar uma nova geração. Mas ainda existe esse preconceito que precisa ser superado”, afirmou.
Já o cantor Libu do Reggae reforça que, apesar das qualidades do bairro, falta maior atenção institucional para o setor cultural.

“A gente não vê defeito na Rua Nova, vê qualidade. Mas o poder público precisa olhar mais pra cá, porque aqui é um celeiro de músicos e artistas”, disse.
Ele também destaca a importância de investir na renovação da cena cultural local.
“A gente que já está há mais tempo precisa de novos talentos sendo preparados. É uma continuidade que precisa de apoio”, explicou.
Fundador do Arrastão do Paletó, Neguinho da Bahia defende investimentos estruturais que possam impulsionar ainda mais a cultura do bairro, como a criação de espaços permanentes para apresentações.

“Aqui era pra ter um palco fixo, um espaço pra cultura, como se fosse um segundo Pelourinho. Tem talento demais aqui”, afirmou.
Apesar disso, ele reconhece que a construção desse cenário também depende do envolvimento da própria comunidade.
“O poder público precisa olhar com carinho, mas a população também tem que ajudar, apoiar”, completou.
*Com informações do repórter JP Miranda







