Corrida melhora saúde do coração e pode aumentar expectativa de vida
Prática regular, mesmo em baixa intensidade, reduz riscos de doenças cardiovasculares e pode acrescentar até três anos à vida

A prática regular de corrida tem se consolidado como uma das principais aliadas da saúde cardiovascular. Um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology, que acompanhou mais de 55 mil pessoas por 15 anos, mostrou que correr reduz em até 45% o risco de morte por doenças cardiovasculares e cerca de 30% o risco de morte por qualquer causa.
O levantamento também indica um aumento médio de até três anos na expectativa de vida. Outro dado relevante é que resultados expressivos podem ser alcançados com apenas 5 a 10 minutos diários de corrida leve.
Além disso, estudos associam a prática a menor risco de câncer e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
De acordo com o cardiologista Dr. Israel Reis, além de fortalecer o coração, o exercício contribui diretamente para a longevidade e qualidade de vida.
Segundo o especialista, o impacto positivo começa no próprio funcionamento do órgão.
“A corrida faz muito bem pro coração porque deixa ele mais eficiente. Com o tempo, o coração passa a trabalhar melhor, bombeando o sangue com menos esforço”, explica. Ele destaca ainda que a atividade ajuda a controlar fatores de risco importantes: “Além disso, a corrida ajuda a controlar pressão, melhorar o colesterol, regula o açúcar no sangue e diminui a inflamação no corpo”.
Apesar dos benefícios, o médico alerta que o início da prática deve ser feito com cautela. A pressa em evoluir pode trazer prejuízos.
“O melhor treino é aquele que a pessoa consegue repetir por anos. Então o primeiro passo é começar leve, sem pressa de evoluir”, orienta.
Ele reforça que o erro mais comum é tentar compensar o tempo parado com treinos intensos.
“Muita gente erra ao querer compensar o tempo perdido e acaba exagerando logo no início. O corpo precisa de adaptação e isso leva tempo”, afirma.
Outro ponto destacado é a importância de adaptar a atividade à rotina real. “Não adianta um plano perfeito que não se sustenta na prática. Às vezes vinte ou trinta minutos bem feito várias vezes na semana vale muito mais do que um treino longo que a pessoa acaba abandonando depois”, pontua.
Uma das principais vantagens da corrida é que não é necessário alto volume de treino para obter resultados.
“A boa notícia é que não precisa exagerar pra ter benefício. Mesmo poucos minutos por dia já ajudam”, ressalta o cardiologista.
Para iniciantes, a recomendação é começar com três a quatro sessões semanais em ritmo leve.
“Muitas vezes caminhando já é suficiente e depois evoluir aos poucos pra uma corrida. Mais importante não é correr forte, é manter uma rotina”, diz.
Com a prática frequente, o corpo entra em um estado mais equilibrado, reduzindo riscos de doenças graves.
“Os vasos ficam mais saudáveis, o sangue circula melhor e há menos inflamação, que é um dos principais fatores por trás do entupimento das artérias”, explica.
Ele acrescenta que o exercício também atua na estabilização de placas de gordura. “Além disso o exercício ajuda a estabilizar aquelas placas que podem causar infarto”, afirma.
Para o Dr. Israel Reis, o segredo está na regularidade. “Problema não é correr, é correr errado, sem preparo ou tentando fazer mais do que o corpo aguenta”, alerta.
Ele reforça a importância da consistência: “No fim, a ideia é simples: começar leve, evoluir aos poucos e manter. É isso que protege o coração de verdade ao longo do tempo”.
*Com informações do repórter JP Miranda






