Inflação dos alimentos pressiona cesta básica e encarece custo de vida em Feira de Santana
Segundo o levantamento, os gastos com a cesta básica comprometem cerca de 39,85% do salário mínimo em Feira de Santana

O custo da cesta básica segue em alta nas capitais brasileiras, pressionando o orçamento das famílias e exigindo mais horas de trabalho para garantir itens essenciais. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, cidades como Manaus (7,42%), Salvador (7,15%) e Recife (6,97%) registraram os aumentos mais expressivos. Outras capitais, como Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, João Pessoa e Fortaleza, também apresentaram elevação.
Na contramão, o açúcar foi um dos poucos produtos a registrar queda no preço médio em 19 cidades, reflexo do aumento da oferta.
Entre os maiores custos nominais da cesta básica, além de São Paulo, destacam-se Rio de Janeiro e Cuiabá. Considerando o salário mínimo atual de R$ 1.621, o trabalhador dessas cidades precisa destinar cerca de 109 horas de trabalho para adquirir os itens básicos.
Para o economista Gesner Brehmer, o aumento dos preços está ligado a fatores externos e internos que impactam diretamente a cadeia de produção.
“O aumento da inflação dos alimentos da cesta básica em todas as capitais do país é fruto de uma conjuntura de dois fenômenos que, à primeira vista, não parecem ter relação direta com os alimentos”, explica.
Segundo ele, o cenário internacional tem papel determinante.
“O aumento do tensionamento internacional, sobretudo envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, eleva o preço do petróleo, que é essencial para a produção econômica. Isso aumenta os custos e pressiona os preços dos alimentos”, afirma.
Outro fator relevante é a questão climática.
“O período de menor incidência de chuvas reduz a produção. Temos uma espécie de ‘tempestade perfeita’, com aumento de custos e queda na oferta, o que leva ao reajuste dos preços”, pontua.
Feira de Santana também sente impacto
Em Feira de Santana, o cenário acompanha a tendência nacional, com alta expressiva no mês de março. Segundo a economista Verônica Ferreira, coordenadora do programa Conhecendo a Economia Feirense, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a cesta básica apresentou aumento significativo.
“O boletim da cesta básica do mês de março apresentou uma alta de 8,3%, fechando o mês em R$ 597,38”, destaca.
De acordo com ela, praticamente todos os produtos registraram aumento, com destaque para hortaliças e itens básicos do dia a dia.
“Quase todos os produtos tiveram aumento de preço em comparação ao mês anterior, principalmente o tomate, a banana da prata e o feijão, que já vinham em alta nos últimos meses”, explica.
Entre os poucos itens que apresentaram redução estão o café, a manteiga e o óleo de soja.
A economista aponta que a elevação nos preços está diretamente ligada à redução da oferta e ao aumento dos custos logísticos.
“No caso do tomate e da banana, há uma redução da oferta por conta do período de entressafra. Já os demais produtos sofrem impacto do aumento do preço dos combustíveis, que são essenciais para o transporte dos alimentos”, afirma.
Ela também destaca a influência do cenário internacional.
“Os conflitos internacionais acabam impactando diretamente a nossa vida, principalmente por meio do aumento dos combustíveis”, completa.
Peso no bolso do trabalhador
O impacto já é significativo para os trabalhadores feirenses. Segundo o levantamento, os gastos com a cesta básica comprometem cerca de 39,85% do salário mínimo.
“Esse valor é calculado para um único indivíduo. Para uma família com quatro pessoas, o custo com alimentação pode ultrapassar os R$ 2 mil”, alerta Verônica.
No cenário nacional, o tempo médio necessário para adquirir a cesta básica também aumentou. Em março, foram necessárias 97 horas e 55 minutos de trabalho, contra 93 horas e 53 minutos em fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a jornada média chega a 106 horas e 24 minutos nas 17 capitais analisadas.
Apesar da alta, especialistas apontam que o cenário pode ser temporário. No entanto, a continuidade dos conflitos internacionais e da estiagem pode prolongar a pressão sobre os preços, mantendo a cesta básica em patamares elevados e impactando diretamente o custo de vida da população.
*Com informações dos repórteres Rafael Marques e Robson Nascimento







