Cuidar de quem cuida: psicóloga alerta para sobrecarga emocional das mulheres e defende rede de apoio
Debate evidencia pressão sobre mulheres multitarefas e aponta riscos à saúde emocional

Durante entrevista ao programa Cidade em Pauta, a psicóloga Olivia Magalhães destacou a importância de olhar com mais atenção para a saúde emocional das mulheres, especialmente aquelas que exercem múltiplos papéis no dia a dia, como mães e cuidadoras.
Com o tema “Cuidar de quem cuida: o olhar para a saúde emocional das mulheres”, a especialista chamou atenção para a necessidade de priorizar o bem-estar feminino, sobretudo em um contexto de sobrecarga constante.
“É um prazer imenso estar aqui mais uma vez com vocês pra falarmos de um assunto tão importante como esse cuidado com as mulheres”, afirmou.
Ao explicar quem são as mulheres que mais sofrem com esse cenário, Olivia destacou principalmente mães — especialmente aquelas que cuidam de filhos com necessidades específicas.
“Eu quero reforçar a mulher que é mãe, principalmente aquela que cuida o tempo todo. Ela está em movimento constante em prol dos filhos, da família e ela fica onde nesse momento?”, questionou.
Segundo a psicóloga, muitas dessas mulheres acabam negligenciando o próprio cuidado emocional, o que pode levar ao adoecimento psicológico.
Olivia listou alguns dos principais sinais de sobrecarga emocional, como irritabilidade, insônia e alterações na alimentação.
“Quando afeta a alimentação, o sono, já é uma mulher que pode estar caminhando para um processo depressivo. A ansiedade também se intensifica, e o corpo começa a dar sinais, o que chamamos de psicossomatização”, explicou.
Ela ainda comparou o estado emocional a um “copo cheio”, prestes a transbordar.
“Qualquer situação vira um ponto crucial. É como uma gota que faz transbordar. A pessoa já não consegue lidar com as situações do dia a dia”, destacou.
A psicóloga também abordou a pressão social para que a mulher seja multitarefa, o que impacta diretamente na saúde emocional e até nos relacionamentos.
“Existe a ideia de que a mulher consegue fazer três, quatro, cinco coisas ao mesmo tempo. Mas até quando? Ninguém vive bem fazendo dez, quinze coisas ao mesmo tempo”, pontuou.
Para ela, é fundamental estabelecer prioridades e buscar equilíbrio.
“A gente precisa entender o que é necessário executar e ter um planejamento de vida, para não cair numa sobrecarga emocional que pode levar ao adoecimento”, disse.
Entre as práticas recomendadas para preservar a saúde mental, Olivia destacou a importância de uma abordagem integral.
“Desde a espiritualidade, que conta muito, até uma alimentação equilibrada, uma boa leitura e o apoio de uma rede de apoio. Tudo isso coopera para o bem-estar”, afirmou.
Ela também reforçou a importância de reconhecer limites e buscar ajuda quando necessário.
“Ter consciência de que precisa de ajuda é essencial. Muitas pessoas acham que vão resolver tudo sozinhas, mas não é bem assim”, alertou.
Outro ponto abordado foi a importância da participação dos parceiros e familiares no cuidado com a saúde emocional das mulheres.
“Não é que o homem ajuda, ele divide a carga. Ele também está dentro de casa e precisa dar suporte”, disse.
A psicóloga também chamou atenção para a realidade de mães solo, que enfrentam ainda mais desafios.
“Quando essa mulher está sozinha, a gente precisa olhar com mais cuidado. Existe também a necessidade de políticas públicas voltadas para esse público”, defendeu.
Olivia destacou que o ideal é procurar ajuda profissional antes que a situação se agrave.
“Não espere o copo transbordar. Quando começar a perceber sinais de sobrecarga, já é o momento de buscar suporte”, orientou.
Ela ainda ressaltou que a terapia deve ser vista como um cuidado essencial, e não como tabu.
“Existe muito preconceito, mas precisamos quebrar isso. A saúde mental é tão importante quanto qualquer outra”, concluiu.






