Economia

Aposentadas podem revisar benefício do INSS e aumentar renda; especialista alerta para prazo e erros comuns

Advogada previdenciária explica que falhas no cálculo são frequentes e podem gerar diferenças financeiras significativas para mulheres

21/03/2026 07h00
Aposentadas podem revisar benefício do INSS e aumentar renda; especialista alerta para prazo e erros comuns
Foto: Divulgação/INSS

Mulheres que já estão aposentadas ainda podem ter direito à revisão do benefício pago pelo INSS e, em muitos casos, aumentar o valor recebido mensalmente. O alerta é da advogada previdenciária Paloma Barbosa, que atua há mais de dez anos em Feira de Santana e região, durante entrevista ao programa De Olho na Cidade.

Segundo a especialista, o fato de a aposentadoria já ter sido concedida não garante que o cálculo esteja correto.

“A concessão da aposentadoria não significa que o cálculo esteja perfeito. O INSS pode ter deixado de considerar algum salário ou período trabalhado, ou até aplicado uma regra menos vantajosa”, explicou.

Ela destaca que muitas mulheres passam anos recebendo menos do que deveriam por desconhecerem esse direito.

“Muitas mulheres passam anos recebendo valores menores simplesmente porque nunca souberam que podiam questionar. O ideal é que toda aposentada busque uma orientação para verificar se o benefício está correto”, afirmou.

De acordo com Dra. Paloma, diversos fatores podem levar a falhas no cálculo da aposentadoria. Entre os principais estão:

“Às vezes a segurada tem direito a duas regras, sendo uma mais vantajosa, mas o INSS concede pela primeira possível, o que pode reduzir significativamente o valor do benefício”, destacou.

A advogada também chama atenção para situações específicas que podem impactar diretamente o valor da aposentadoria, como o salário-maternidade.

“Há casos em que o salário-maternidade não é incluído corretamente no tempo de contribuição ou na média de cálculo. Quando isso acontece, o benefício fica menor do que deveria”, explicou.

Outro ponto importante são mulheres que trabalharam em mais de um emprego ao mesmo tempo, realidade comum em profissões como professoras, enfermeiras e médicas.

“Essas atividades precisam ser somadas corretamente. Se o INSS não considerar todos os vínculos, o valor final pode cair bastante. A revisão serve justamente para recalcular com base em tudo que a segurada realmente recebeu”, afirmou.

Um dos principais alertas é sobre o prazo para pedir a revisão. “Existe um prazo de dez anos, contado a partir do primeiro pagamento da aposentadoria. Pode parecer muito, mas passa rápido. Muitas mulheres só procuram ajuda quando já estão com oito ou nove anos recebendo”, disse.

Segundo ela, quanto antes for feita a análise, maiores são as chances de garantir o direito.

Caso a revisão seja aprovada, a aposentada não recebe apenas o aumento daqui para frente.

“Além do reajuste mensal, ela também recebe as diferenças atrasadas relativas aos últimos anos. Em muitos casos, são valores que fazem um grande impacto na vida financeira”, destacou.

Para a especialista, toda aposentadoria deve ser revisada, mesmo quando não há suspeita de erro.

“Nem sempre haverá erro, mas só depois de um estudo detalhado é possível ter essa segurança. Toda aposentadoria merece ser conferida”, afirmou.

Como principal alerta, ela reforça a necessidade de não confiar cegamente no valor recebido.

“O INSS pode falhar, pode aplicar cálculos menos vantajosos. A revisão pode revelar oportunidades que a segurada nunca imaginou”, concluiu.

A advogada orienta que mulheres procurem um profissional especializado em direito previdenciário para avaliar cada caso e verificar a possibilidade de revisão do benefício.

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