Economia

Variações no mercado e no consumo influenciam as eleições 2026

Percepção negativa da população sobre preços e custo de vida contrasta com indicadores econômicos positivos

18/04/2026 19h21
Variações no mercado e no consumo influenciam as eleições 2026
Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

A economia brasileira voltou ao centro do debate político e já começa a influenciar o cenário eleitoral, impulsionada principalmente pela percepção da população sobre o aumento no custo de vida. Dados recentes de pesquisas indicam que muitos brasileiros avaliam que houve piora econômica nos últimos 12 meses, especialmente em relação ao preço dos alimentos.

Durante entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, o professor Rosevaldo Ferreira destacou que a economia sempre estará diretamente ligada à política, mas defendeu que o debate precisa ser conduzido com foco na gestão.

“Economia sempre vai estar no debate político. Agora, esse debate tem que ser um debate de gestão. Preços são mercado, e mercado implica em preços, sobre os quais não se tem controle total”, afirmou.

Segundo o professor, fatores como crises climáticas têm impacto direto na produção e nos preços dos alimentos, provocando oscilações frequentes.

“As crises climáticas provocam quebra de safras e isso impacta nos alimentos. Por outro lado, a tecnologia tem avançado e reduzido o tempo de produção, o que também influencia o mercado”, explicou.

Rosevaldo também chamou atenção para o comportamento do consumidor diante dessas variações.

“Existe uma tendência de reclamar quando o preço está alto, mas não se percebe quando ele cai. O café, por exemplo, estava muito caro há poucos meses e agora já apresenta queda, mas isso não gera a mesma repercussão”, pontuou.

Ele ainda explicou que o ciclo de produção agrícola contribui para essa volatilidade.

“Quando o preço sobe, o produtor planta mais. Quando cai, ele reduz a produção. Esse movimento cíclico está cada vez mais rápido”, disse.

Dólar, juros e cenário internacional

Outro ponto abordado foi a entrada recorde de dólares no Brasil, que ainda não se reflete diretamente na percepção popular. De acordo com Rosevaldo, dois fatores principais explicam esse movimento: o cenário internacional e a taxa de juros brasileira.

“A guerra eleva o preço do petróleo, e o Brasil é exportador. Além disso, temos uma das maiores taxas de juros do mundo, o que atrai investidores estrangeiros”, afirmou.

Ele destacou que o país se torna atrativo mesmo em meio à polarização política.

“Apesar das tensões políticas, o Brasil tem uma democracia estável, o que traz segurança para investidores internacionais”, disse.

No entanto, o professor alertou que a queda do dólar tem limites.

“O dólar não deve cair muito abaixo de R$ 4,95 e a tendência é fechar o ano entre R$ 5,20 e R$ 5,30”, avaliou.

Inflação, endividamento e sensação econômica

O economista Gesner Brehmer reforçou que a percepção negativa da população está ligada a uma combinação de fatores, especialmente o alto custo dos itens essenciais e o elevado nível de endividamento.

“Os preços essenciais continuam altos e o endividamento das famílias também é elevado. Isso não se deve apenas a políticas recentes, mas ao aumento da oferta de crédito nos últimos anos”, explicou.

Ele também destacou a diferença entre inflação e deflação, que impacta diretamente a percepção das pessoas.

“Existe uma diferença entre inflação baixa, que é quando os preços sobem menos, e deflação, que é quando eles realmente caem. Muitas vezes os preços não estão subindo tanto, mas também não estão caindo, e isso gera insatisfação”, afirmou.

Impacto nas eleições

Ambos os especialistas concordam que a economia será um dos principais temas das eleições. Para Gesner, o comportamento do dólar pode influenciar diretamente o cenário político.

“Se o dólar se estabilizar em torno de R$ 5,20 a R$ 5,40, isso pode favorecer o governo. Mas, se houver alta para patamares como R$ 5,60 ou mais, o impacto tende a ser negativo”, avaliou.

Ele ressalta que o atual cenário é considerado temporário e depende de fatores externos.

“Essa queda do dólar é momentânea. Após o fim de conflitos internacionais, será preciso observar em qual patamar ele vai se estabilizar”, disse.

Os especialistas reforçam que, assim como em eleições anteriores, a economia deve ser protagonista na decisão do eleitor.

“A economia certamente será um dos assuntos centrais na definição do voto”, concluiu Gesner Brehmer.

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