Dia Mundial de Combate à Obesidade reforça alerta: 7 em cada 10 brasileiros estão acima do peso
Cardiologista alerta que obesidade vai além da estética, aumenta o risco de doenças cardiovasculares e exige tratamento com mudança de estilo de vida

No momento IDM Cardio, o médico cardiologista Germano Lefundes fez um alerta sobre os riscos da obesidade para a saúde cardiovascular. A data marcou o debate em torno do Dia Mundial de Combate à Obesidade e trouxe números preocupantes.
Segundo o médico, embora a questão estética seja um fator que leve muitas pessoas a buscar tratamento, o foco principal deve ser a saúde.
“A estética é muitas vezes o grande motivador para que as pessoas procurem tratamento, e isso não é errado. Quando você se sente bem consigo mesmo, isso gera repercussões na saúde física e emocional. Mas tratar a obesidade não é só estética”, afirmou.

Ele reforçou que a obesidade é uma doença crônica e está diretamente relacionada a problemas como hipertensão, diabetes, apneia do sono e doenças cardiovasculares.
“Tratar a obesidade é evitar doenças, melhorar a qualidade de vida para executar atividades simples, como amarrar um cadarço. É melhorar o sono, reduzir irritabilidade e proteger o coração”, pontuou.
O cardiologista explicou os critérios para diagnóstico. O parâmetro mais utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.
- IMC acima de 25: sobrepeso
- IMC acima de 30: obesidade
“O IMC é uma ferramenta de triagem. A obesidade hoje precisa ser vista de forma mais ampla”, explicou.
Ele ressaltou que há casos em que o IMC pode não refletir a realidade. Pacientes com gordura acumulada em locais inadequados, como no fígado (esteatose hepática), podem ser classificados como obesos mesmo com IMC considerado normal.
“Às vezes o paciente tem IMC normal, mas perdeu massa muscular e o que preenche o espaço é gordura. Ele é portador de obesidade mesmo assim”, alertou.
Para uma avaliação mais precisa, exames como bioimpedância ajudam a identificar a composição corporal e a distribuição da gordura.
O excesso de gordura corporal provoca um estado de inflamação crônica de baixo grau, que eleva significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
“Essa inflamação aumenta o risco de problemas no coração. Não é apenas uma questão visual, é uma questão fisiológica e metabólica”, explicou.
O médico também chamou atenção para o cenário preocupante no Brasil. Segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de 31% dos brasileiros são obesos e aproximadamente 68% estão com sobrepeso.
“Quando sete em cada dez pessoas estão acima do peso, a gente começa a normalizar visualmente uma condição que é doença”, observou.
De acordo com o cardiologista, o tratamento da obesidade não deve ser baseado em soluções milagrosas nem depender exclusivamente de medicamentos.
“As pessoas são imediatistas e buscam resultados rápidos, mas a medicação é parte de um conjunto. Mudança de estilo de vida e abordagem emocional também são fundamentais”, ressaltou.
Ele explicou ainda que, apesar do custo das medicações, o tratamento pode gerar economia a médio e longo prazo.
“Quando o paciente perde peso, ele pode reduzir ou até suspender medicamentos para hipertensão, diabetes ou outras comorbidades. O investimento no tratamento da obesidade reduz custos futuros em saúde”, destacou.
Estudos apontam que bilhões em gastos poderiam ser evitados com o enfrentamento adequado da doença.
O especialista incentivou as pessoas a assumirem papel ativo no cuidado com a própria saúde.
“Se o tratamento para obesidade não for proposto, questione. Faça provocações no bom sentido. O paciente precisa ser parte ativa do processo”, orientou.
Ele reforçou a importância da conscientização: “Olhe no espelho não apenas pelo componente estético, mas como uma questão de saúde. Procure um médico e discuta o tratamento. Existe solução para um problema que é crônico.”







