Trump recua no tom e anuncia reunião com presidente da Colômbia
Encontro na Casa Branca ocorre após ameaças de ação militar e meses de tensão entre Washington e Bogotá

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende se reunir com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, poucos dias depois de ter feito ameaças de ação militar contra o país sul-americano. A sinalização de distensão veio após uma conversa telefônica entre os dois líderes, realizada na noite de quarta-feira (7).
Em publicação na rede Truth Social, Trump descreveu a ligação como uma “grande honra” e disse esperar encontrar Petro em breve. Segundo o presidente colombiano, o diálogo serviu para explicar “a situação das drogas e outros desentendimentos” existentes entre os dois governos.
“Apreciei a ligação e o tom da conversa, e espero me reunir com ele em breve”, afirmou Trump, acrescentando que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ficará responsável por coordenar o encontro com o chanceler colombiano. De acordo com o republicano, a reunião deverá ocorrer na Casa Branca, em Washington, ainda sem data definida.
A reaproximação marca uma mudança significativa no relacionamento entre os dois presidentes, que vinha se deteriorando desde o retorno de Trump à Presidência. Minutos após a conversa telefônica, Petro discursou em um comício antiamericano em Bogotá e afirmou ter suavizado o tom de sua fala após o contato com o líder norte-americano.
“Eu tinha preparado um discurso mais duro”, disse Petro a apoiadores reunidos na Plaza Bolívar. O presidente colombiano também acusou setores da direita do país de terem “enganado Trump” ao associá-lo ao narcotráfico, acusação que voltou a negar.
As relações entre Estados Unidos e Colômbia se agravaram nos últimos meses. Em setembro, Petro teve o visto americano revogado após pedir, em um ato pró-Palestina em Nova York, que soldados dos EUA “desobedecessem” Trump. No mesmo período, Washington anunciou que a Colômbia deixaria de ser considerada aliada prioritária no combate às drogas, embora tenha mantido acordos de cooperação em segurança. O país é atualmente o maior produtor mundial de cocaína.
Em outubro, o governo Trump impôs sanções pessoais a Petro e à primeira-dama colombiana, sob a acusação de envolvimento com o tráfico de drogas. A crise diplomática se aprofundou após a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro, em Caracas, episódio classificado por Petro como um “sequestro”.
No último domingo, Trump voltou a elevar o tom ao ameaçar uma possível ação militar contra a Colômbia, afirmando que o país estaria “governado por um homem doente” que “produz e envia cocaína aos Estados Unidos”. Petro reagiu dizendo que estaria disposto a “pegar em armas novamente” caso a Colômbia fosse atacada, em referência ao seu passado como integrante do grupo guerrilheiro M-19.
Na quarta-feira, porém, o clima começou a arrefecer. A embaixada da Colômbia em Washington destacou o “tom construtivo” da conversa entre os presidentes. Já a embaixada dos EUA em Bogotá havia alertado cidadãos americanos sobre protestos no país, recomendando evitar grandes manifestações, algumas das quais registraram palavras de ordem contra os Estados Unidos e a queima de bandeiras norte-americanas.






