Trabalhadores terceirizados protestam em frente à Embasa e cobram reajuste no vale-alimentação
Trabalhadores ligados à empresa Serv Electrim denunciam valor insuficiente para custear refeições e pedem aumento para R$ 40

Na manhã desta segunda-feira (27), trabalhadores terceirizados que prestam serviço para a Embasa, por meio da empresa Serv Electrim, realizaram um protesto em frente à unidade da estatal, em Feira de Santana. A mobilização foi organizada com apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Feira de Santana e região e teve como principal pauta o reajuste no valor do vale-alimentação pago à categoria.
De acordo com o presidente do sindicato, Thiago Reis, o benefício está defasado há anos e não acompanha o aumento no custo de vida, especialmente no que diz respeito à alimentação.

“A gente está aqui hoje juntamente com os trabalhadores para buscar melhorias no benefício dessa categoria. Esse valor vem há anos muito baixo, era de R$ 23 e passou para R$ 28, mas não tem como o pessoal se alimentar com isso”, afirmou.
Segundo ele, o sindicato tenta negociar com a empresa desde 2025, mas ainda não houve avanço significativo.
“A gente conseguiu esse pequeno reajuste, mas ainda é insuficiente. Os trabalhadores resolveram parar para que essa negociação não pare. O sindicato está aqui em apoio, porque é uma situação difícil”, destacou.
Thiago também fez questão de esclarecer que a reivindicação não é diretamente contra a Embasa, mas sim contra a empresa terceirizada. No entanto, ele apontou a diferença entre os benefícios pagos aos funcionários efetivos da estatal e os terceirizados.
“Os próprios da Embasa recebem em média R$ 70 por dia de alimentação, enquanto os terceirizados recebem R$ 28. A gente não está pedindo igualdade total, mas um reajuste digno, que permita ao trabalhador se alimentar”, explicou.

A categoria reivindica que o valor seja reajustado para pelo menos R$ 40 por dia. “Esse valor daria uma média para café da manhã e almoço, garantindo o mínimo de dignidade para quem trabalha, muitas vezes viajando”, completou o presidente.
Um dos trabalhadores presentes no protesto, que preferiu não se identificar, relatou as dificuldades enfrentadas no dia a dia. Segundo ele, o valor atual não cobre sequer uma refeição completa.
“Hoje a gente recebe cerca de R$ 40 para café e almoço. Em qualquer lugar da região, um almoço custa entre R$ 35, e o café entre R$ 10 e R$ 15. Não fecha a conta”, afirmou.
O funcionário também destacou que muitos trabalhadores atuam em campo, em cidades da região, o que dificulta ainda mais encontrar opções de alimentação dentro do valor disponibilizado.
“A gente se desloca para locais como Santo Estevão, Serrinha, Riachão do Jacuípe, e não encontra alimentação nesse preço. Acaba tendo que tirar do próprio bolso para completar”, disse.
Ainda segundo ele, diversas tentativas de negociação já foram feitas, sem sucesso. “O sindicato chamou a empresa várias vezes, mas ela só compareceu em duas ocasiões e não apresentou uma proposta que resolvesse a situação”, relatou.
Os trabalhadores afirmam que vão manter a mobilização até que haja avanço nas negociações.
“Enquanto o trabalhador estiver unido, a gente vai estar junto. A luta é por dignidade. Qualquer categoria que estiver passando por problema pode procurar o sindicato, que estaremos lá para buscar solução”, concluiu Thiago Reis.
Procurada pelo De Olho na Cidade, a empresa Serv Electrim foi acionada para comentar as reivindicações dos trabalhadores, mas até o fechamento desta matéria não havia se manifestado. O espaço segue aberto e a reportagem aguarda retorno.
Nota da Embasa
Em nota, a Embasa esclareceu que a mobilização envolve um grupo específico de trabalhadores terceirizados vinculados à empresa Serv Electrim, na divisão de manutenção eletromecânica de Feira de Santana.
“Sobre mobilização de grupo específico de trabalhadores terceirizados, vinculados à empresa Serv Electrin, na divisão de manutenção eletromecânica de Feira de Santana, a Embasa esclarece que as tratativas relacionadas às questões trabalhistas e benefícios ocorrem entre a contratada e as entidades sindicais representativas da categoria, conforme a legislação vigente. Os colaboradores já retornaram ao trabalho e a Embasa acompanha a situação de forma atenta, mantendo o diálogo entre as partes para a normalização das atividades, e reforça que cumpre rigorosamente todas as obrigações contratuais com as empresas prestadoras de serviços.“
*Com informações do repórter JP Miranda







