Ronda Maria da Penha acompanha mais de 600 mulheres em Feira e reforça alerta contra violência psicológica
Capitã Nina Marques destaca importância da denúncia precoce e revela que mais de 3,6 mil mulheres já foram assistidas pelo programa desde 2016

A atuação da Ronda Maria da Penha em Feira de Santana tem sido fundamental no enfrentamento à violência contra a mulher. Em entrevista ao De Olho na Cidade, a capitã da Polícia Militar, Nina Marques, detalhou o trabalho realizado na cidade e fez um alerta importante: a violência psicológica está presente em praticamente todos os casos atendidos.
Segundo a oficial, o programa atua no município desde 2016 e já acumula resultados expressivos.
“Hoje a gente está com 631 mulheres assistidas atualmente, todas com medida protetiva de urgência. Ao longo dessa trajetória, já acompanhamos 3.638 mulheres, contribuindo para que muitas conseguissem romper com o ciclo da violência”, destacou.
A capitã reforçou que o acompanhamento realizado pela Ronda Maria da Penha tem impacto direto na vida das vítimas.
“São histórias de mulheres que, através desse suporte, puderam mudar de vida e começar uma trajetória sem violência”, afirmou.
Violência psicológica é a mais comum
De acordo com a PM Nina, embora existam diferentes tipos de agressão, a violência psicológica aparece em todos os casos.
“Em todas as situações, a gente observa que as mulheres sofrem violência psicológica. Muitas vezes ela é sutil e a pessoa não consegue perceber. Quando percebe, já evoluiu para violência física, moral, patrimonial ou até sexual”, explicou.
Ela alerta que esse tipo de abuso costuma ser o primeiro estágio de um ciclo que pode se agravar com o tempo.
“A violência tende a escalonar. Começa com comportamentos abusivos e pode chegar ao feminicídio se não for interrompida”, disse.
Como funciona o atendimento
O primeiro passo para a vítima é procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde pode registrar a ocorrência e solicitar medida protetiva.
“A medida protetiva de urgência é um instrumento previsto na Lei Maria da Penha e garante, por exemplo, o afastamento do agressor. Ela costuma sair em até 48 horas”, explicou a capitã.
Após a concessão da medida, a Ronda Maria da Penha entra em ação. “Recebemos essas informações e entramos em contato com a mulher para oferecer o acompanhamento. Esse acompanhamento não é obrigatório, ela precisa aceitar”, pontuou.
O nível de risco é avaliado e define a frequência das visitas. “Se o risco é alto, intensificamos o acompanhamento. Se é menor, as visitas são mais espaçadas, sempre visando garantir a segurança da vítima”, acrescentou.
Estrutura e atuação
Atualmente, a equipe conta com 27 policiais militares dedicados exclusivamente ao atendimento de mulheres com medida protetiva em Feira de Santana.
“Hoje conseguimos dar conta da demanda. Inclusive, ampliamos a atuação para distritos, com três guarnições por dia, sendo duas na cidade e uma na zona rural”, afirmou.
A capitã também destacou o apoio do comando regional. “Sempre que solicitamos reforço, somos atendidos dentro das possibilidades. Isso demonstra a sensibilidade da gestão com o tema”, disse.
Importância da denúncia
Durante a entrevista, a PM Nina fez um apelo às mulheres que vivem situações de violência, especialmente aquelas que ainda não reconhecem o problema.
“Muitas vezes, comportamentos abusivos são normalizados. Mas não é normal ser humilhada, ameaçada ou controlada. É preciso reconhecer os sinais e buscar ajuda”, alertou.
Ela enfatizou que o silêncio pode agravar a situação. “Eu sei que o medo existe, mas somente com a denúncia a rede de proteção pode agir. A gente quer prevenir, não remediar casos extremos”, afirmou.
Canais de denúncia
A capitã reforçou que existem diversos canais disponíveis para denunciar casos de violência:
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM)
- Disque 190 (em situações de emergência)
- Disque 180 (denúncia anônima)
“Qualquer pessoa pode denunciar, não precisa ser apenas a vítima. Uma ligação pode salvar uma vida”, concluiu.







