Política

Reestatização da RLAM só depende de Magda e Silveira, diz Deyvid Bacelar

Dirigente da FUP afirma que recompra da refinaria é estratégica para reduzir preços e garantir autossuficiência de combustíveis

13/04/2026 12h07
Reestatização da RLAM só depende de Magda e Silveira, diz Deyvid Bacelar
Foto: Reprodução

A reestatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), atualmente sob controle do grupo Mubadala e rebatizada como Acelen, entrou em uma fase decisiva e depende agora da condução da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre da Silveira. A avaliação é do coordenador licenciado da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, que defende a recompra como essencial para reduzir preços e garantir a autossuficiência nacional em combustíveis.

As declarações foram feitas por Bacelar ao comentar o andamento das negociações envolvendo a Petrobras e o fundo dos Emirados Árabes Unidos, responsável pela aquisição da refinaria durante o governo Jair Bolsonaro. Segundo ele, a Bahia enfrenta hoje os combustíveis mais caros do país como consequência direta da privatização.

“Hoje a Bahia está pagando o valor mais caro do Brasil pelos combustíveis devido à privatização da RLAM”, afirmou. Bacelar destacou ainda que o ativo foi vendido abaixo do valor estimado à época. “O grupo Mubadala comprou a refinaria durante o governo Bolsonaro por menos da metade de seu valor de mercado, que à época era de U$3,8 bilhões de dólares”, disse.

De acordo com o dirigente, as negociações entre Petrobras e Mubadala enfrentam entraves. Informações de bastidores indicam que o grupo estrangeiro estaria exigindo um valor elevado para devolver o ativo ao Estado brasileiro. Ainda assim, Bacelar aponta que o processo foi retomado recentemente.

“As negociações foram retomadas. Temos ciência de que há uma equipe da Petrobras visitando a refinaria desde a semana passada, fazendo um processo de avaliação dos ativos para que um novo valor seja estabelecido pela própria Petrobras”, explicou.

Ele ressaltou que a possível recompra não envolve apenas a refinaria, mas todo o sistema logístico associado. Isso inclui três terminais terrestres — em Jequié, Itabuna e Candeias —, o Terminal Marítimo de Madre de Deus (Temadre) e cerca de 700 quilômetros de dutos responsáveis pelo abastecimento do mercado baiano.

Bacelar também avaliou que a Petrobras dificilmente aceitará pagar um valor superior ao recebido na venda. “É óbvio que a Petrobras não vai querer pagar um valor maior do que aquele que recebeu”, afirmou. Ainda assim, demonstrou expectativa de que o processo seja concluído em breve, citando declarações de Magda Chambriard de que a operação será realizada se for vantajosa para a estatal.

O dirigente reforçou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou publicamente a intenção de recomprar a refinaria. “Se o presidente já declarou essa intenção, cabe ao ministro das Minas e Energia (Alexandre Silveira) e à presidente da Petrobras fazer com que o processo de recompra ocorra o mais rápido possível para o bem da Bahia e do Brasil”, disse.

Ao comentar os impactos econômicos da privatização, Bacelar afirmou que a população baiana foi a mais afetada, especialmente diante da combinação de vendas de ativos estratégicos no setor de energia. Segundo ele, a política de preços da Acelen tem provocado aumentos sucessivos.

“A Acelen já aumentou seis vezes o preço do diesel desde o início do conflito. O diesel saltou de R$3,63 para R$6,6 na Bahia, enquanto no restante do país, onde há refinarias da Petrobras, o preço subiu de R$3,32 para R$3,38”, declarou.

Ele acrescentou que os efeitos são ampliados pela privatização de outras empresas do setor. “Quando somamos esses aumentos da Acelen às correções também praticadas pela BR Distribuidora, também privatizada, e pela Liquigás, que também não pertence mais ao estado brasileiro, a gente percebe que a Bahia está sofrendo mais do que os outros estados. A gasolina e diesel aqui estão custando R$8,00”, apontou.

Segundo Bacelar, em outras regiões do país os preços permanecem mais baixos. “No restante do país o diesel está na casa dos R$7 e a gasolina na casa dos R$6,00”, concluiu.

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