Queda de cabelo na menopausa está ligada a fatores hormonais e intestinais, alerta tricologista
Especialista destaca que alterações no organismo vão além da idade e podem ser revertidas com diagnóstico correto

A queda de cabelo durante a menopausa tem sido uma queixa cada vez mais comum entre mulheres, mas, segundo a tricologista Luciana Lago, o problema vai além das mudanças hormonais típicas dessa fase da vida. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, a especialista explicou que fatores como inflamação intestinal, estresse e deficiências nutricionais têm papel central no surgimento do quadro.
“Há dez, quinze anos atrás isso não era comum. Eu sempre dou o exemplo da minha avó, que faleceu aos 86 anos com muito cabelo, e da minha mãe, com 72, que nunca teve queda, mesmo sem reposição hormonal”, relatou.
De acordo com Luciana, o principal fator por trás da queda capilar atualmente está relacionado à saúde intestinal.
“A maioria das mulheres infelizmente está com o intestino inflamado. Quando a gente vai embasar com a saúde, o intestino está 100% relacionado com isso”, afirmou.
A especialista fez questão de diferenciar a queda de cabelo provocada pela menopausa da calvície feminina, que pode atingir mulheres em qualquer idade.
“A menopausa é um período em que há queda na produção de hormônios como progesterona e estrogênio, o que pode afetar os fios. Já a calvície feminina acomete até jovens e adolescentes e também está ligada à saúde intestinal”, explicou.
Para identificar a causa da queda, Luciana destacou a importância de exames laboratoriais e avaliação do couro cabeludo. Entre os principais indicadores estão:
- Insulina (para detectar resistência insulínica)
- Ferritina (estoque de ferro)
- Vitaminas C e E
- Minerais como zinco, selênio, manganês e ferro
“Mais importante do que suplementar é entender por que esses níveis caem novamente. Muitas vezes, o problema está na má absorção causada por um intestino permeável”, ressaltou.
Outro ponto destacado pela tricologista é o impacto do estilo de vida. Segundo ela, a menopausa, isoladamente, não é a única responsável pela queda dos fios.
“Quando a gente analisa, vê uma mulher mais estressada, sobrecarregada, com muitas demandas emocionais. Não é só a menopausa que causa queda, é o conjunto desses fatores que dificulta o nascimento de novos fios”, disse.
Apesar disso, Luciana garante que há tratamento. “A gente consegue resposta em menos de seis meses. Não é algo que precisa tratar para a vida inteira, desde que a causa seja identificada”, afirmou.
A reposição hormonal também pode ser uma aliada, desde que acompanhada por profissionais.
“Ajuda bastante, mas é importante entender por que os hormônios estão baixos. Mulheres jovens já apresentam deficiência por questões nutricionais e estresse”, explicou.
Ela orienta que sinais como queda de libido, irregularidade menstrual e ferritina baixa devem servir de alerta.
“É o momento de procurar um ginecologista e também um endocrinologista”, recomendou.
Além da queda, a menopausa pode provocar alterações na textura dos fios e aumento dos cabelos brancos.
“O fio branco é mais queratinoso, então o cabelo tende a ficar mais áspero. Mulheres com mais fios brancos sentem mais essa mudança”, destacou.
Por fim, a especialista reforçou que o acompanhamento multidisciplinar é essencial para atravessar essa fase com mais qualidade de vida.
“É fundamental cuidar não só do cabelo, mas da saúde como um todo, com suporte ginecológico, endocrinológico e também tricológico. Com o intestino regulado e suplementação adequada, muitos sintomas da menopausa podem ser minimizados”, concluiu.






