Queda da patente de Ozempic e Wegovy: especialista explica impactos no acesso ao medicamento
Fim da exclusividade da substância semaglutida pode ampliar oferta e reduzir os preços do medicamento, que deve ser usado com prescrição médica

O mercado de medicamentos para diabetes e obesidade passa por uma mudança significativa a partir desta sexta-feira (20). Chega ao fim a patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos amplamente utilizados no país, como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, desenvolvidos pela farmacêutica Novo Nordisk. A medida abre espaço para a produção de versões genéricas e similares, o que deve impactar diretamente no preço e no acesso ao tratamento.
A legislação brasileira prevê até 20 anos de exclusividade para medicamentos inovadores. Com o encerramento desse prazo, outros laboratórios poderão produzir a substância, desde que obtenham aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com especialistas, a expectativa é de uma redução significativa nos preços. Pela lei, medicamentos genéricos devem ser, no mínimo, 35% mais baratos que os de referência, mas estudos indicam que essa queda pode chegar a quase 60%.
A nutróloga Dra. Aline Jardim destaca que o impacto deve ser sentido ainda em 2026.
“A gente acredita que já no segundo semestre de 2026 outros laboratórios consigam a liberação da Anvisa para fabricar a semaglutida, tanto com nome genérico quanto comercial”, explica.
Atualmente, o custo mensal do tratamento gira em torno de R$ 1.100, valor que dificulta a continuidade para muitos pacientes. Com a quebra da patente, a expectativa é de maior acessibilidade.
“Estamos na expectativa de encontrar essa medicação por até R$ 700, o que vai ajudar muito a população a manter o tratamento”, afirma a médica.
A semaglutida é indicada principalmente para o controle do diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. Segundo a especialista, a redução no preço pode representar um avanço importante na saúde pública.
“É uma medicação que veio para ficar. Com o preço reduzido, vai facilitar o tratamento contínuo, que hoje é o maior desafio para muitos pacientes”, ressalta.
Apesar da possível popularização, a venda continuará sendo controlada. “É importante lembrar que é uma medicação que exige prescrição médica, então isso não muda”, reforça Dra. Aline.
No setor público, a mudança também gera expectativa. Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) chegou a descartar a incorporação da semaglutida devido ao alto custo, estimado em cerca de R$ 8 bilhões. Agora, com a perspectiva de queda nos preços, o cenário pode mudar.
“O governo já demonstra interesse em incluir essa medicação no SUS. Com a redução de custos, existe uma grande possibilidade de aprovação para tratar doenças como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares”, pontua a nutróloga.
Para Dra. Aline, o momento representa um avanço importante. “A concorrência entre laboratórios abre uma grande expectativa de queda nos valores. Estamos aguardando ansiosos, porque isso pode transformar o acesso ao tratamento no Brasil”, conclui.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim






